Como aquela criança marrenta, rebelde que quer, por que quer algo, assim se apresentou a candidata petista Dilma Rousseff no bom formato do debate da Band. E pela primeira vez nesta campanha, que a petista se mostrou no seu estado natural. Ou seja, de uma mulher brava, teimosa e de poucos amigos. A depressão pela não vitória no primeiro turno ficou expressa na reação da candidata, que surpreende acusando o Serra, de estar fazendo uma campanha suja contra ela. Mas a Dilma não detalhou os fatos. O que deveria ter feito! Ou seja, jogou no ventilador da dúvida, na base do se colar colou... Será que ela quis se referir às recentes denuncias, como de ser favorável ao aborto, e das falcatruas na Casa Civil?! Estas na realidade não partiram da oposição. No primeiro caso, a comprovação está nas entrevistas que ela concedeu. Já no caso que envolveu a ex-ministra Erenice Guerra, se não fossem verdadeiras as denúncias apresentadas pela imprensa, ela não teria sido demitida, e também seus assessores. Este fato respingou na Dilma, com consequente efeito nas urnas, porque por sete anos, Erenice foi seu braço direito na Casa Civil. E por sua orientação, quando deixou o ministério, foi indicada para lhe suceder, e prontamente aprovado pelo Lula. Um fato novo surgiu, e talvez possa justificar a irritação de Dilma no debate da Band. A Folha de São Paulo, em seu site do dia 11/10/10, divulgou informação que corria na internet, de que a candidata petista teve um caso por 15 anos com uma ex-empregada (lesbianismo), e que esta entrou na justiça exigindo uma indenização, ou pensão. E por esta razão, Dilma tenha se insurgiu iradamente contra o candidato José Serra, no decorrer do evento, como se fosse o responsável desta provável calúnia. Na verdade, a Dilma não venceu no primeiro turno, como constatam as pesquisas, porque ela tenha declarado sua posição a favor do aborto. Sua queda na preferência do eleitorado se deveu muito mais aos escândalos da Receita Federal, e da Casa Civil, fartamente publicados, e também pela tentativa de satanização da imprensa pela cúpula do PT. Mas este chilique talvez até estratégico da petista, insistindo em atacar seu concorrente, impediu que outros temas importantes fossem abordados, frustrando os milhares de telespectadores. Mesmo assim, num dos poucos temas abertos como das privatizações, José Serra poderia ser mais enfático, e valorizar este programa patrocinado em grande parte pelo governo FHC. Porque, esta retrógrada bandeira petista contra as privatizações não cola mais. E tentar iludir o eleitorado de que estas estatais vendidas ao setor privado prejudicaram o povo, e a economia brasileira é de uma inutilidade atroz. O Estado, jamais foi capaz de administrar com eficiência estas megas empresas que sempre apresentavam prejuízos ao tesouro. E todas sem distinção na época eram uma fonte inesgotável de cabide de empregos, privilegiando os currais políticos. A reação do eleitorado com esta nova faceta de campanha da Dilma, abandonando o paz e amor, e partindo para o ataque ainda é uma incógnita. O que ficou claro no primeiro turno, e longe das previsões dos analistas políticos, é que uma parcela importante da população brasileira, incluindo todas as classes sociais, está mais do que atenta com os graves acontecimentos divulgados pela imprensa, envolvendo as nossas instituições, particularmente no Executivo e no Legislativo. Não fosse isso, os mais de 100 milhões de eleitores que depositaram seus votos nas urnas no último 3 de outubro, teriam sacramentado a vitória de Dilma, já no primeiro turno. *PAULO PANOSSIAN é jornalista em São Carlos/SP
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