NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 02 de Julho de 2013, 19h:55

GUSTAVO NASCIMENTO

Chega de robôs!

Não tem jeito, cada vez mais o atendimento digital é a saída. Hoje é mais fácil fazer uma compra ou pagar uma conta pela internet do que por qualquer outro meio de comunicação. Inclusive, pessoas que fazem essas operações no caixa eletrônico chegam a irritar os outros usuários que precisam da máquina apenas para sacar dinheiro (outra coisa cada vez mais enfadonha). Porém, ainda assim tem coisas que só os humanos resolvem, ou assim deveria ser. Em questões pontuais as empresas nos encaminham para os SACs e as centrais de atendimentos onde pessoas vão nos ouvir. Certa vez tive que resolver um problema no banco e única saída encontrada foi recorrer ao atendimento por telefone onde novamente apenas máquinas respondem. Telefono para o banco e começo a dialogar com as operadoras eletrônicas. O nosso diálogo flui como costumeiramente faço quando não sou atendido por um humano: apenas finjo que ele o é. Eu falo “Oi, tudo bem? Quantos anos você tem? Já te falaram que você tem uma linda voz?” Enquanto a voz robótica apenas respondia: - Tecle o número de sua agência, agora o numero de sua conta. A opção 1 é para caso você queira informações a respeito da sua conta. Parei. E notei que ela disse você? Cara, um robô me chamou de você! Não posso acreditar! Um robô! Um robô me chamou de você. Ninguém mais me chama de você. Fiquei animado, continuei a conversa e fui teclando todas as opções que desejava, ainda impressionado pelo robô ter me chamado, ter se dirigido a mim como pessoa. Em algum instante o robô saiu, e voltou com outra voz. Era um novo robô. Esse um pouco mais estranho. Me respondia perguntas sem muita afirmação, fazia perguntas que eu me questionava se eram realmente perguntas, pois a tonalidade da voz se quer mudava. Fiquei triste, pois este robô me chamava de senhor desta vez. O atendimento voltou a ser costumeiro, ‘gerundizado’, longo e formal, não era mais pessoal. Infelizmente este robô não tinha censo, não tinha humanidade, não pensava, não existia. Quando o atendimento estava no fim, eu interroguei o robô e perguntei: “quem foi que me atendeu?” Querendo fazer outra brincadeira tosca, como as que o primeiro robô ignorou, mas desta vez ele me respondeu. – Meu nome é Geane Albuquerque! Tenha uma boa tarde senhor. – respondeu com a mesma tonalidade indiferente e sem expressão humana! Desliguei o telefone ainda pasmo, afinal quem era o humano? Havia algum humano lá? Será que eles fizeram lavagem cerebral nos atendentes para que eles parecessem com robôs também? Mas, o pior foi entender que as máquinas estão mais humanas que as pessoas. Cada vez mais nos tornamos menos humanos. GUSTAVO NASCIMENTO é repórter

Edição EDIÇÃO 16960




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL