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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 04 de Julho de 2009, 13h:59

MÁRIO M. DE ALMEIDA

Chamem os bandidos!

Tem dias que a gente amanhece com um “branco” na cabeça, e isso costuma ocorrer, geralmente, com quem se dedica ao ofício de juntar letras, a exemplo deste que assina embaixo. Hoje, por final, começo a dedilhar este espaço com um vazio sobre o que escrever. Falar das prisões de graduados da PM pela Polícia Federal, inclusive de um ex-comandante da Corporação, acusados de envolvimento em grilagem de terras, fraudes e pistolagem, entre outros crimes graves. E, portanto, inadmissíveis de serem praticados por aqueles que ganham salários para combater a criminalidade e assegurar a paz e tranquilidade da população. Pode até ser um assunto a abordar, especialmente porque é atual. Mas, adianta gastar tinta e papel? Vai, quero dizer, no sentido prático e eficaz, resolver esse problema? Não! Diante de tantas bandalheiras, tenho lá minhas razões para ser céptico, descrente, quanto a isso, especialmente quando se escuta muitas outras histórias aterradoras e cujos personagens são servidores policiais, fardados ou civis, atuando do outro lado da trincheira. Qualquer cidadão minimamente informado já ouviu casos e mais casos relatando situações dessa natureza escabrosa. Onde os protagonistas estão de arma na mão e revestidos do poder de autoridade policial, usados contra a sociedade indefesa. Às vezes, tem se a impressão que, diante dessa imagem de caos, o melhor seria uma reformulação profunda em todo o aparato de segurança pública estadual. Mas, sinceramente, não tenho a receita, nenhuma sugestão a fazer, se o caminho seria passar toda a atribuição de segurança da sociedade, exclusivamente, para a Polícia Federal, ou se no lugar da atual policia civil e militar, forjasse-se uma nova. Assentada sobre novas regras e princípios de atuação, amplamente fiscalizada e controlada. Com novos quadros assumindo o comando dessa que seria uma polícia de elite. Elite no sentido de preparo moral e técnico. Francamente, não sei o que deve ser feito, até porque não sou perito na matéria. Apenas que algo precisa ser feito, antes que as duas instituições apodreçam de vez. Assim como a maioria das pessoas, tenho a sensação de impotência sobre o que fazer em situações como esta, envolvendo a minha, a sua, a nossa segurança... Sobretudo quando se refere a atribuição da esfera estadual nesse setor. Com tanta violência à solta, que faz de cada um de nós reféns do medo, de um medo banal, corriqueiro, como o de abrir ou fechar o portão da garagem e ficarmos sobressaltados com o barulho de uma motocicleta que se aproxima. Ou com a presença de dois ou três garotos parados na esquina próxima ou na calçada em frente da nossa casa... Fazer o quê? Chamar os bandidos, talvez! * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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