ARTIGO
Terça-feira, 21 de Junho de 2011, 21h:44
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NATACHA WOGEL
Capítulos de despreparo
A cidade está em choque. Um agente prisional recém-saído do concurso, fazendo seu terceiro plantão dentro da penitenciária onde estão os perigosões de Mato Grosso, morre assassinado dentro da unidade de Cuiabá, não se sabe se pelas mãos dos presos ou dos militares que lá atuam. Não deu nem tempo suficiente para que a indignação com o fato ecoasse e, no dia seguinte, a população engoliu seca a execução a sangue-frio de um empresário da Capital, cometida por um segurança de uma agência bancária, que disparou contra ele três tiros, um na face. Os dois episódios demonstram o caminho sombrio que a questão da segurança tem tomado na região. Possivelmente, esses são casos semelhantes a outros que geram tanta indignação quanto em diversos pontos do país. Enfim, cada vez mais o Brasil tem se tornado o abrigo dos cabeças-quentes, dos corações gelados e dos governos injustos. Permitir que um rapaz de 24 anos, aprovado em concurso público recentemente para agente carcerário alguns podem até achar que ele assumiu o risco ao se candidatar a uma vaga dessas, mas, certamente não assumiu o risco de contar com o despreparo e a inoperância do Estado possa tomar conta de detentos de altíssima periculosidade sem nenhum tipo de preparo, de capacitação, de curso de defesa pessoal e/ou afins. É uma atitude no mínimo irresponsável dos que gerem o sistema prisional de Mato Grosso. A psique daqueles que também se prestam à função de garantir a segurança em algum local seja da iniciativa privada ou não deve estar à prova, na medida em que há alguém habilitado para tal função. Não creio que a empresa em que estava empregado o segurança que prestava serviço ao banco não tenha capacitado o profissional para a atividade até porque, na iniciativa privada, empresas de segurança e transporte de valores costumam adotar um rigor ainda maior do que do governo, validado inclusive pela Polícia Federal. Mas, certamente, ele não deveria estar em plena saúde psicológica. Não dá para remeter os dois casos à fatalidade, definitivamente. A sensação que fica é de que nem com os presos encarcerados nas penitenciárias ou em um local onde se deveria receber a proteção ao menos de seus funcionários, mesmo que em situação de crise, é possível ter a garantia de que se está a salvo da violência. NATACHA WOGEL é editora de Cidades