ARTIGO
Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012, 23h:08
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ADENAR ADAMS
Candidatos bons - campanhas péssimas
Em 1978 a campanha ao Senado, que era o máximo de candidaturas majoritárias que a milicada e os civis fascistas permitiam, foi uma baixaria só. E ambos os candidatos eram da Arena: Garcia Neto que deixou o governo para concorrer e Benedito Canelas, um insignificante deputado, mas que canalizava o ódio ao ex-governador, acusado de ajudar o ditador Geisel a fazer a divisão do Mato Grosso. Garcia neto era o ratão nos panfletos que inundavam a cidade. O outro, cuja foto melhorada já antes do foto shop, mostrava um jovem bonito, transformado em herói, que enganou até este escriba, um novel pau rodado que dia 24 de outubro fará 34 anos de desembarque. O ratão perdeu, mas quem perdeu mesmo foi o estado, pois o bonitão foi um senador de nada, dizem que limitado a ser churrasqueiro de segunda na Granja do Torto, lambendo as botas e passando kaol nas esporas e estribos do general Figueiredo. Pois bem, corte para 2012. Tornamo-nos mais civilizados? Coisa nenhuma! Em plena era de tantos decantados avanços tecnológicos e sociais, vemos uma campanha rasteira, onde não importa quem é candidato, importa é quem os apoia. Goste-se ou não, Lúdio Cabral é um jovem político com dois mandatos de vereador, sem mácula, atuando com trabalho social na periferia, prestando contas do seu mandato, promovendo as rodas da cidadania e que tem o mérito de conseguir fixar sua candidatura em meio aos rachas sem fim do PT. Surgiu como um ramo novo, após os troncos precocemente apodrecidos de Serys, Abicallil e Alexandre César. Também o Mauro Mendes é um candidato com qualidades inegáveis. Teve atuação na política estudantil, foi para a iniciativa privada e montou uma empresa de sucesso. Se foi ajudado por subsídios e benefícios creditícios e fiscais, está dentro da legalidade que favorece todos os empresários. Foi dirigente da corporação empresarial, demonstrando sua liderança. Também tem o direito de pleitear cargos políticos. Mas o que faz o marketing de ambos os candidatos? Ao invés de falar dos méritos dos postulantes, prefere atacar a sua redondeza, agredir os que estão em volta. Existem incoerências? Claro, ser incoerente é da natureza dos políticos, que sempre pragmáticos, acham justificativa para tudo. A campanha do Mauro ataca os supostos apoios que Lúdio recebe de Eder Morais (desculpem o palavrão) José Riva (perdão senhoras!) e Silval Barbosa (quem?). Esquecem que há quatro anos estes três estavam juntos no palanque de Mauro Mendes. Quem mudou? E esta história de drogas e aborto, que coisa mais baixa, mais fedorenta! E agora com o sicofanta Antero então... Já a campanha PT/PMDB ataca o sucesso empresarial do adversário como se fosse um crime. E reforça a incongruência do paladino Taques ajoujado com Blairo Máqquinas, que em 2010 o ex-procurador falava dos 100% equipado e 20% roubado, etc. Gente, aquilo também era campanha política! Pedro Taques sempre teve uma queda pelo sojicultor e podem estar certos que em 2014 vão estar juntos. Então meus amigos, eleição não é carreira de cavalos que se precisa ganhar a qualquer custo, como dizia Brizola. Perder uma eleição com dignidade é melhor do que ganhar dando caneladas. Lembre-se que Garcia Neto nunca mais ganhou uma eleição e Bendito Canelas nunca mais foi nada. O veneno da baixaria, da mentira, da safadeza, também contamina quem joga. Eu já declarei que voto no Lúdio. Não tenho vergonha de ele receber o apoio do Riva (perdão de novo). Foi esse ladino que veio apoiar o meu candidato no 2º turno. Isso prova que ele só agora descobriu que Lúdio é o melhor, ou seja, o candidato do PT não precisava dele. Aliás, nem Brito usava o Baixinho na sua campanha, pois sabia que o apoio do deputadinho em Cuiabá, é abraço de tamanduá. Por isso faço um apelo: Lúdio, chuta o Riva! Por fim constato que apesar de toda essa nojeira de campanha, é o jogo. Aristóteles já dizia que a política sobrepuja a moral. Mas para a sorte de Cuiabá, qualquer um dos candidatos é melhor que Galindo, Galinho e Roberto França, juntos. Festejemos isso! * ADEMAR ADAMS é jornalista