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ARTIGO
Terça-feira, 27 de Maio de 2008, 20h:56

LORENZO FALCÃO

Cada vez melhor

Um número significativo de títulos com boa qualidade e dirigidos por cineastas estreantes. Esta, talvez, seja a boa nova que nos apresenta a 15ª edição do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. E, no geral, um cinema diverso e bem acabado, enfocando os mais variados temas e com abordagem vária, o que é representativo do nível da sétima arte nacional. Até fechar estas linhas, digamos que o festival mal alcançou sua metade e eu, pensando bem, já me dou por satisfeito. Como a acessibilidade ao cinema brasileiro é difícil, não sou, nunca fui, acostumado a assistir aos títulos nacionais e eis que me flagro assistindo todos os dias pelo menos dois longas-metragens nacionais. Temia me decepcionar, mas eis que me acontece justamente ao contrário. Fica até difícil dizer se gostei mais deste ou daquele. Como estou na função de mediar os debates com os realizadores, mais do que assistir aos títulos, tenho me embrenhado nessa conversa de cinema brazuca. E tenho gostado. Os caras têm o que dizer e sabem fazê-lo. Além de mostrar talento no telão, sabem conversar, difundir e expor suas idéias, com paciência e de maneira democrática. Os bate-papos estão sendo divertidos e enriquecedores. A conversa com Joel Pizzini e Paloma Rocha (filha do genial Glauber Rocha), que estão por trás de “Anabazys”, um documentário realizado em torno de Glauber e sua obra, foi extremamente enriquecedor. Percebi o quanto Glauber foi e ainda é, além de incompreendido, injustiçado. Com uma postura vanguardista nas artes e na política, e por ser um artista plugado no ‘fogo das paixões revolucionárias’ – que bonito isso, não poderia ser diferente num país conservador como o Brasil. Tudo bem, deve ter gente que não concorda que nosso País é conservador, mas assim sendo, então, se as coisas mudam, o fazem com uma velocidade de cágado. Ainda bem que o nosso cinema tem mudado com uma velocidade um pouco maior. Até esta hora já assisti três filmes ótimos de diretores estreantes: “Amigos de Risco”, de André Bandeira, “Corpo” de Rubens Rewald e Rossana Foglia e “Ainda Orangotangos”, de Gustavo Spolidoro. Quando você, meu prezado leitor ou leitora, estiver lendo estas linhas, certamente, já estarei surpreso também com “Meu Nome é Dindi”, de Bruno Safadi, que me afiançaram ser muito bom. Acho que o tempo em que o cinema brasileiro ficava devendo em níveis de qualidade e quantidade está ficando mesmo para trás. Ainda bem. E o resultado disso já pontifica também nos grandes eventos internacionais do cinema, onde volta e meia, nosso cinema tem mostrado performances interessantes. E feliz da vida, paro por aqui. Acabou meu espaço e já tá na hora de zarpar para mais uma sessão de cinema brasileiro, que não há de ser a última. LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário

Edição EDIÇÃO 16967




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