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ARTIGO
Quarta-feira, 05 de Outubro de 2011, 21h:01

JOSÉ LACERDA

Cáceres: 233 anos de reflexão histórica

No aniversário de Cáceres, achei importante homenagear minha terra natal, fazendo um balanço geral de sua existência de mais de dois séculos. Desde a fundação de Vila Maria do Paraguai, em 6 de outubro de 1778, o então povoado teve suas elevações de categoria de vila e município em 1859, depois à cidade de Cáceres, em 1874, sempre vinculadas ao desenvolvimento das potencialidades e localização estratégica. A fundação de Cáceres deu-se por motivos que, ainda hoje, perduram como característica: a fertilidade do solo e abundância das águas, a necessidade de defesa da fronteira e o incremento das atividades do sudoeste de Mato Grosso, além da navegação do Rio Paraguai para comunicação entre Vila Bela da Santíssima Trindade, Cáceres e a Capitania de São Paulo. Não podemos esquecer e enaltecer que a partir de 1850 ocorreu, em Cáceres, um incremento populacional e econômico, com a extração da borracha, da raiz medicinal da ipecacuanha (poaia), do comércio de peles bovinas e da agropecuária. A navegação do Rio Paraguai desenvolvendo o comércio com Corumbá, foi ampliado para comércio internacional com Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai, já indicava um perfil de integração comercial. As primeiras empresas industriais do Brasil, com alta potencialidade de produção e exportação para a Europa, surgiram em meados do século XIX, em Cáceres, pelas usinas de açúcar e as charqueadas de Descalvados e Barranco Vermelho. O aparecimento de novos núcleos sócio-econômicos, a partir de 1960/70, com a intensa migração, o desenvolvimento agrícola teve, como consequência, a emancipação e criação de novos municípios a partir de Cáceres e Vila Bela, passando de dois para 22 municípios. Mais recentemente, no final da década de 80, a retomada do desenvolvimento das fronteiras de Mato Grosso, e da região de Cáceres, bem como a integração econômica sul-americana, estiveram nos planos de governos de Mato Grosso: de Júlio Campos, Carlos Bezerra, Jaime Campos, Dante de Oliveira, Rogério Salles, Blairo Maggi e Silval Barbosa. Pode-se citar o importante papel do então senador Márcio Lacerda, na criação da ZPE - Zona de Processamento de Exportação, localizada em Cáceres, na saída comercial para o Pacífico e o desenvolvimento sustentável. Se por um lado, temos os pontos positivos como o aumento anual da produtividade, temos, por outro, problemas específicos que esbarram, principalmente, na infraestrutura das vias de transporte e na defesa de fronteira. Comparando com o passado, quando a comunicação e o aspecto de defesa militar das fronteiras eram relacionados com a soberania, hoje, temos a fronteira como problema militar e policial do combate ao narcotráfico. O desafio é transformar Mato Grosso - detentor de maior base econômica mineral e agropecuário do País- em grande polo industrial. Especificamente para a região oeste do estado, depois de 20 anos, o governo de Silval Barbosa está retomando a implantação da ZPE, com as obras de infraestrutura, além de investimentos na área de Educação, criando a Faculdade de Medicina da Unemat. Neutralizar os efeitos de exclusão social e de criminalidade - fragilidades que são aproveitadas pelos narcotraficantes – em ações que gerem mais empregos, renda e saúde para a população estão nas metas do programa MT Sem Miséria e no Plano de Ação do Comitê de Fronteiras. A 46ª Expocáceres, realizada nesta semana, homenageia os pioneiros dos municípios, criados a partir de Cáceres e Vila Bela, representando todos aqueles que trabalham pelo crescimento de seu município. É o evento que mostra as potencialidades e o otimismo da região. Para enfrentar problemas com coragem, perseverança, faz-se necessário implantar estratégias de ações integradas. O governador Silval Barbosa está agindo com eficiência e eficácia. Mas essas ações devem ser trabalhadas em comum acordo com a população. *JOSÉ LACERDA é secretário-chefe da Casa Civil do Governo de Mato Grosso

Edição EDIÇÃO 16967




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