MÁRIO M. DE ALMEIDA
Os caciques do PSB, seguindo à risca a matreira escola da política brasileira, a do salve-se quem puder, copiaram a experiência de legendas mais calejadas no oportunismo eleitoral, onde pontificam o PMDB e o DEM, e refugaram o projeto de candidatura própria à Presidência da República, rifando Ciro Gomes desse jogo não tão democrático. Os partidos que fazem parte do contexto de não abraçar projetos de candidaturas próprias a presidente da República, preferem comer no prato feito por outros. Ficam beirando o poder, beliscando as sobras da mesa real de quem eventualmente estiver no trono. Nesse colegiado, o PSB mostrou ser um aluno aplicado. Excluímos desse rol entreguista o PSDB e o PT porque, apesar de suas contradições (e que não são poucas), têm o mérito de ir pra cabeça na disputa pelo comando político do país. Não ficam atrelados, mas adoram, obviamente, quando outros partidos grandes, pequenos ou simplesmente nanicos, não importa - se atrelam neles. E nesse afã de se jogarem na bandeja, as siglas que correm de disputas majoritárias em nível nacional como o diabo foge da cruz, mesmo quando possuem nomes dispostos ao enfrentamento (caso de Ciro, por exemplo), cumprem funções diferenciadas e que vão do pseudo-verniz moral e ideológico de esquerda que emprestam aos que têm coragem para disputar projetos maiores ao aluguel puro e simples do horário eleitoral de que dispõem. Segundo e minutos, como se sabe, preciosos e que valem ouro. Diante do quadro dominante no Brasil de se abandonar frequentemente um projeto partidário maiúsculo, de envergadura, a esperança era o PSB agüentar o tranco, passar por cima das pressões e tentar construir uma alternância de poder para a nação. Independente e fora da dualidade PSDB-PT, que vem predominando nacionalmente e, pelo jeito, infelizmente, vai continuar dominando por mais uma década. Não deixando maiores alternativas de escolha aos eleitores que ficam presos à dicotomia do se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.... Ciro Gomes fez a aposta partidária errada e tem também parcela de culpa pela sua própria degola, a partir do momento em que começou a especular com vários cenários que o pudessem favorecer como se a política fosse uma atividade aleatória. Tentou jogar com paus de vários bicos e se deu mal. E pagou o preço, menos pelo oportunismo e mais pelo gênio intempestivo de que é dotado. Não chega, é lógico, ser daquelas pessoas que pensam com a língua, mas a sua língua, às vezes, e mais ferina que o seu pensamento. Porém, até pela disposição de encarar uma disputa dificílima, merece ser respeitado. O respeito e o apoio que o seu próprio partido não lhe deu. Voltando à rivalidade entre o PT e PSDB, chega a ser uma coisa maniqueista e lembra a guerra dualista entre o bem e o mal, que encontrou o seu ápice no fanatismo de certas igrejas e seitas. E quantas atrocidades foram cometidas em nome do bem ou do mal nas disputas religiosas! Com as fogueiras do inferno ateadas na Terra. Transposto para o terreno da política, não dá para saber qual desses dois partidos encarna um ou outro conceito, tão parecidos que são na sua essência. Se o bem, no passado recente, foi a entrega para grupos econômicos de empresas públicas a preço de bananinha de fim de feira e com o pagamento feito em moeda podre ou com dinheiro emprestado pelo próprio governo via BNDES, a prazo de égua e aquele jurinho bem camarada. Ou se o mal são os lucros, cada vez maiores, da banca financeira nacional e internacional, que tem nadado de braçadas no atual governo. Nesse cenário sem maiores opções de escolha, resta o consolo de saber que existe uma terceira candidatura, com pouca ou nenhuma viabilidade eleitoral, mas digna de ser admirada pela semente de coragem e patriotismo que está plantando a de Marina Silva, pelo PV. A torcida é para que ela vá em frente e não entregue os pontos. Lembrando que ninguém construiu História apenas dizendo amém aos poderosos. Salve Marina, morena, caboclinha da Amazônia! * MARIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única. www.paginaunica.com.br
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