ARTIGO
Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007, 18h:34
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ADILSON ROSA
Brasileiro, prepare seu bolso!
Caro leitor, o Senado Federal acabou com a CPMF, o chamado imposto do cheque. Até que o brasileiro poderia comemorar, mas o Governo Federal não quer nem saber, pois os cerca de R$ 40 bilhões que seriam arrancados do bolso do contribuinte continuam constando no bolo da arrecadação. De que forma? Através de outros impostos. Quatro deles, que independem de autorização do Congresso Nacional, serão reajustados. E de imediato! Vem por aí um aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), dos tributos que incidem sobre as operações de comércio (Importação e Exportação), do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e da CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido). Esses impostos não são cobrados de todos os brasileiros. A derrota no Senado é mais uma derrota política do que propriamente econômica. A farra que o governo iria fazer com o imposto arrecadado deverá se confirmar nos próximos meses, porque não haverá cortes. O Governo jamais iria admitir que existem despesas supérfluas. Cortar despesas significa, acima de tudo, deixar de gastar com coisas inúteis. O Brasil tem hoje 33 ministérios. Seriam necessários tantos? Foram criados, recentemente, milhares de cargos DAS -, um cargo de confiança em que a pessoa é contratada sem concurso. A preferência para o preenchimento dessas vagas é para os companheiros. Para que servem tantos cargos de confiança? Bem, acho dispensável responder a tal indagação. Corte nos programas sociais? Nem pensar! Estes estão garantidíssimos. Como o brasileiro vai continuar sendo o contribuinte de impostos do mundo, o governo poderia, então, pelo menos melhorar os serviços prestados. Mas parece que também essa hipótese está fora de cogitação. Escolas que não ensinam e postos de saúde e hospitais públicos nos quais muita gente tem que morrer antes de ser atendida deverão continuar a existir ainda por muitos e muitos anos. Até parece que existem leis obrigando o Poder Executivo a oferecer serviços públicos de péssima qualidade. Em sua edição de ontem, o jornal londrino Financial Times observa que a carga tributária brasileira, de cerca de 36% do PIB, é mais alta do que a de alguns países desenvolvidos. A reportagem lembra que a qualidade dos serviços públicos, especialmente educação, saúde e infra-estrutura, é mais baixa do que a de muitos países emergentes. O jornal nem precisava lembrar isso, pois o fato, além de ser um tapa na cara do contribuinte, é humilhante para nós, brasileiros. ADILSON ROSA é jornalista