ARTIGO
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010, 21h:06
A
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NATACHA WOGEL
Bons e saudosos
Uma amiga colocou umas fotos em seu Orkut que me fizeram recordar o quanto a infância e a adolescência são maravilhosas em nossas vidas. Você, que tem trinta e poucos anos assim como eu, remonte lá os anos 80. Imagine um fundo de quintal metade cimentado, metade coberto por alguns exemplares de árvores frutíferas com galhos parcos e poucos frutos. Lá no canto, aquele objeto de desejo de toda criança menos abastada da época: uma piscina de plástico, de mil litros ou talvez menos, erguida e encostada na parede para secar. Várias crianças de roupa de banho (cafonérrimas) da época, as meninas se achando miss, os garotos gordinhos, com aquelas sunguinhas de listras, sempre preta ou azul marinho. E a inocência pairando no ar. Ser criança era ser criança naquela época. A influência televisiva se limitava ao Garibaldo da Vila Sésamo, ao Mikey Mouse, ao Clube da Disney. Brincadeira era brincar de pega, pique-esconde, subir em árvores, andar de bicicleta, tomar banho de piscina no quintal do vizinho. Como foi bom! Um pouco mais tarde, a adolescência chegou, por volta dos anos 90, e com ela todas as curiosidades sobre os grandes e inesquecíveis primeiros amores com eles os selinhos, os primeiros beijos de língua, os diários, as baladas românticas, as músicas lentas, as conversas na porta de casa até altas horas, as sessões de cinema. A inocência, uma pouco menos inocente, ainda existia. A série Barrados no Baile que me pego revendo hoje em um canal de TV paga, sob o nome original Bervelly Hills 92190 era o que tinha de mais prafrentex na época, já que os jovens de 17 e 18 anos do seriado, que namoravam entre si, apesar de serem superamigos, já transavam. Nossa! Eu adorava! Não perdia um capítulo. Infelizmente, hoje, aquelas cenas parecem ultrapassadas, também cafonas e, sobretudo, desinteressantes. Ainda assim, adoro, mas porque me remetem a um período de sonhos, fantasias, esperanças, desejos de um futuro brilhante, junto ou separado, aqui ou acolá, com muito ou o necessário. Não quero aqui provocar nada, levantar lebre sobre nada ou deixar exemplos longe de mim , como serve a maioria dos artigos de opinião, a partir da minha experiência como criança ou adolescente. A intenção é apenas expor que fui feliz na infância e na adolescência, por motivos e motivações simples, fáceis, baratas e, antes de mais nada, suficientes. Doces anos 80 e 90! Saudades! Cest bon, cest tout. NATACHA WOGEL é editora do caderno Cidades