O mundo religioso no Brasil está em franca transformação. O catolicismo, embora ainda majoritário, dia a dia perde fiéis para os evangélicos, principalmente para a ala neopentecostal, adepta e praticante de curas e milagres. Os novos bispos, pastores, apóstolos e missionários, inimigos declarados entre si, são parentes, contraparentes ou antigos correligionários que antes militavam juntos, mas que se desentenderam quando a coisa começou a ficar grande e a ganância superou os laços de parentesco e de fidelidade. Nos cultos, na televisão e no rádio exibem-se como ídolos do povo, alardeando seus milagres que encantam nossa gente sofrida e carente. O pior é passaram a se interessar por política criando uma relação indesejada entre igreja e partidos. Muitos não acreditamos nesses dons especiais dos bispos, apóstolos e pastores. Mas é bom dar a eles a chance convencer-nos de que não estão enganando o povo para tirar algum proveito financeiro. Há pelo menos três formas objetivas de eliminar toda a dúvida quanto à honestidade desses homens de Deus. A primeira: o ex-ilusionista James Randi oferece um milhão de dólares (2 milhões de reais) para qualquer um que provar alguma cura ou intervenção espiritual, paranormal ou sobrenatural que ele (Randi) não possa explicar. Neste caso é só chamar o dito milionário e fazer o milagre em sua presença. Se ele não conseguir explicar a façanha, isto é, não detectar um truque ou uma enganação, vai entregar a quantia prometida e passará a divulgar que realmente ali houve algo inexplicável. Não há o que perder. Se der errado o desafiante não cobra nem a passagem. Com esse dinheiro os lideres poderiam aliviar um pouco a pressão por arrecadação de dízimos e ofertas que fazem sobre os crentes. A segunda é mais rápida. Não precisa buscar o velho Randi lá no Canadá, pode ser comigo mesmo, já que não envolve tanto dinheiro. A proposta é a seguinte: como o milagre mais comum que estão fazendo é criar dentes de ouro na boca dos fiéis, vamos juntar cem voluntários e contratar uma equipe de 10 dentistas que examinarão previamente todos os seus dentes, fazendo uma ficha para cada um. Em seguida o bispo/pastor/obreiro/apóstolo/missionário terá o tempo que achar necessário para operar o milagre. Se aparecer um só dente transformado em ouro eu pago todo o serviço dos profissionais e ainda doo outro tanto para a igreja. Se não nascerem os desejados dentes dourados, as despesas ficam por conta do falso milagroso. A terceira oportunidade dá aos desafiados a possibilidade de cumprir totalmente o texto bíblico como está em Marcos, capítulo 16, versículos 17 e 18. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados. Nos cultos e transmissões de televisão a cura pela imposição das mãos, a expulsão de demônios além do dom de falar novas línguas, ocupam quase todo o tempo dos líderes. Entretanto dos cinco sinais que a bíblia diz acompanhar os que creem, os bispos/pastores/apóstolos usam e abusam de três e ignoram os outros dois. Eles elegem os que lhes convêm por serem absolutamente subjetivos: expulsar demônios, curar enfermos e falar novas línguas. Os outros dois, manusear serpentes e beber veneno simplesmente ignoram. O conjunto de sinais, não uma parte deles, conforme diz o texto, é que acompanham os que creem no Senhor. Essa é uma grande oportunidade para provarem que não há enganação: levaremos um endemoninhado para ser libertado, um doente, digamos com dor de cabeça, para ser curado. Alcançado este primeiro objetivo, vamos ao cumprimento da segunda parte do texto. Aí é que entra uma cobra, digamos uma cascavel adulta e uma boa dose de veneno. Se eles beberem o veneno, manusearem a cobra e não lhes acontecer nada, terão passado no teste. Se ninguém topar os desafios aqui propostos, pelo menos creio que este texto servirá para criar alguma dúvida na cabeça dos fiéis. Provavelmente quando virem seus líderes operando milagres nos templos e emissoras de televisão se lembrarão da cascavel e do chumbinho. E por certo duvidarão que aqueles desenvoltos falastrões tenham a coragem de tomar o veneno e acariciar a venenosa serpente. *RENATO DE PAIVA PEREIRA empresário
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