NA HORA
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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012, 23h:02

LORENZO FALCÃO

Banho de rio

Hoje estamos completando 81 dias sem chuva aqui em Cuiabá. E com as queimadas rondando a cidade (e dentro dela), o resultado é uma atmosfera irrespirável. A secura tá braba e todo mundo reclamando, como se já não bastasse a tradicional quentura desta terra. Um passeio numa chácara às margens do Rio Coxipó no último domingo, para comemorar aniversário de familiares, foi a providência para combater o calor, em vez de ficar plantado dentro de casa com o ar condicionado rufando. Para poder tomar banho de rio, atualmente, você tem que ir rio acima, tanto no Cuiabá, quanto no Coxipó, em busca de água decente. Porque dentro do perímetro da cidade, os dois rios já dançaram. Saneamento básico é algo que continua mandando lembranças pra população cuiabana. Me engana que eu gosto. A chegada de mais uma eleição municipal deveria ser um bom momento para que os candidatos se referissem a questão do esgotamento sanitário em Cuiabá. Como não perco meu tempo assistindo a propaganda eleitoral, nada posso dizer. Prefiro não correr o risco de ser injusto com algum candidato. Antigamente, ouvia-se dizer que nenhum político gostava de fazer obra de esgoto, porque fica debaixo da terra, e ninguém vê. Como a obra não é vista, não resulta em voto. Políticos “inteligentes” esses. Ou espertos... Sei lá. O que precisava mesmo é que os candidatos que aí estão tivessem um nível de comprometimento mais digno para com a população. Mas, voltemos ao domingo no Coxipó, rio acima, fugindo do esgoto que é gerado pela incompetência dos nossos administradores públicos, entra ano, sai ano. É uma m...! Um pouquinho acima do Rio Mutuca, na rodovia que vai pra Chapada dos Guimarães. É lá que fui parar. Quer dizer, eu e a torcida do Mixto, do Cuiabá e do Operário também, porque o rio tava entupido de gente. Rio é coisa pública e todo mundo tem direito. Numa curva de rio, abaixo de onde estava, vi até um vendedor de algodão doce caminhando dentro d’água e tocando o seu comércio ambulante. Uma visão curiosa e meio surreal. Refrescando o corpo e a alma nas águas frias e translúcidas do Coxipó ouço o crepitar de uma queimada que vem chegando às margens do rio. Um sinimbu – aquele bicho ribeirinho que parece iguana, habitante natural destas paragens, foge do fogo e dá de cara com aquele povaréu dentro do leito do rio. Coitado: pra cima o fogo, pra baixo o povo. Com um grupo de banhistas, foi improvisada uma brigada anti-incêndio que desarticulou as chamas que vinham varrendo o chão do cerrado, insaciáveis com a folharada seca. E livramos a cara do pacífico réptil, comedor de folhas. Vida longa aos sinimbus e a nós também. LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras tyrannusmelancholicus.blogspot.com

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL