Tenho pra mim que muitas pessoas que estão aí torcendo a cara para a atitude de Pedro Taques de não fazer um alinhamento automático com Dilma Rousseff no segundo turno, estão com uma visão caolha. Quem conhece o ex-procurador sabe que ele não é um deslumbrado e nunca demonstrou tendência para a bajulação de figurões. Assim, não vai sair qual um cãozinho qualquer, balançar a cola para uma possível Presidente da República. Também aqueles que querem enquadrá-lo via partido, estão errados. Por que o PT e o Lula não enquadraram sua candidata no 1º turno? O PDT e o PSB eram tão aliados de Dilma quanto o PMDB? Este, por ser o maior partido, teve direito a indicar o vice-presidente. Mas não era o único aliado da presidenciável petista. Acredito que se a candidata Dilma fez no Brasil inteiro o que fez aqui em Mato Grosso, está claro para mim porque não ganhou a eleição no dia três de outubro. Foi uma contradição o PMDB daqui ganhar no 1º turno, mas para presidente o Serra levar a melhor. No mínimo Dilma teria de somar os votos de Silval e de Mauro Mendes, dois supostamente aliados. Ela não teve a maioria dos votos, porque os seus aliados dos partidos menores, ao verem o insistente pedido de votos só para o PMDB e para o PR, devem ter ficado revoltados e cravado o voto no candidato tucano. Quem não lembra da Dilma urrando que seus candidatos eram o Silval, o Blairo e o Abicallil? Ninguém disse para ela que Mauro Mendes e Pedro Taques também eram da base aliada? Aliás, as figura de Mendes e Taques ornavam muito mais com a história (ainda que hoje chamuscada) do PT. Blairo, um latifundiário, ideologicamente lá na direita. Silval nem sabe o que é ideologia e fez sua carreira no fisiologismo visando o enriquecimento pessoal. Os outros dois novatos na cena política, pelo menos têm vida pessoal ilibada e militam em partidos de centro-esquerda. A candidata Dilma, ao discriminar os aliados, espantou muitos votos dos que eram apaixonados pelos candidatos do PSB e PDT. O próprio Mauro Mendes teve um encontro constrangido com Dilma no aeroporto, com ela demonstrando desconforto pelo assédio. Já Taques foi ignorado por ela. Pagou caro por isso. Então, o desprezo do Pedro Taques para a Dilma é o troco que ela faz por merecer. Não que o novo senador não deva ou não vá apoiá-la, afinal o partido é aliado. Mas se ele não der o apoio esperado é compreensível. Aliás, diz o ditado que bala trocada não dói. Abicallil e a CPMF - Deve ter sido um inimigo do Abicallil que escreveu o texto do Lula pedindo votos para o candidato petista. Ao dizer que o ex-professor iria ajudar, por exemplo, na aprovação do imposto do cheque, o Presidente jogou uma pá de cal na candidatura do seu aliado, que já vinha abortando pela garrafada ministrada por Antero. *ADEMAR ADAMS é jornalista em Cuiabá
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