Não é nada incomum nós, do meio jornalístico, ouvirmos reclamações ou denúncias de diversas autoridades sobre o comprometimento da Polícia Judiciária Civil na investigação de diversos tipos de crimes, principalmente aquelas envolvendo algum tipo de autoridade, seja de qual for a esfera, ou de crimes relacionados à administração pública. Um grande debate, na minha opinião, deveria ser aberto no Congresso Nacional no que diz respeito à total autonomia da Polícia Civil no País inteiro. Ela, como autoridade judiciária, figura como sendo a responsável por dar o primeiro passo para o julgamento de algum suspeito ou acusado de comer algum tipo de crime. A subordinação desta Polícia (e frise-se aqui exclusivamente a Civil e não a Militar) à Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública torna esta indispensável instância investigatória frágil e, como não muito raro vemos nas manchetes dos jornais, altamente corrupta. A autonomia administrativa a que me refiro poderia se assemelhar aos moldes do Ministério Público. Isso poderia diminuir a renca de delegados que vivem a puxar saco de secretários, políticos e governadores a fim de ocupar cargos estratégicos e de chefia. Quero frisar que as críticas que faço não dizem respeito a essa ou aquela administração ou gestão. É um círculo vicioso que não se esgota! Para exemplificar alguns casos de comprometimento de investigação, mas, sem expor quem quer que seja, lembro uma investigação conduzida pela Delegacia Fazendária que apurava um esquema de superfaturamento envolvendo um assessor de um poderoso político que ocupava cargo na esfera estadual e hoje, na federal. A investigação comprometia pessoas ligadas a um ex-governador. A Operação acabou sendo abafada e a delegada que conduzia o inquérito anoiteceu delegada fazendária e acordou plantonista do Cisc Planalto. Nada contra os plantonistas - até porque desenvolvem papel fundamental na Polícia -, mas a retaliação ficou evidente, embora a chefia da Polícia e a própria delegada negasse qualquer retaliação. Afinal, todo mundo sabe para que lado a corda arrebenta! No pleito passado, alguns sites noticiaram a tentativa de um delegado da Polícia Civil, que ocupa cargo de chefia, em avocar uma investigação eleitoral envolvendo um poderoso político do Estado que, inclusive, foi cassado pelo TRE por compra de votos. Uma atitude no mínimo suspeito, já que a legislação eleitoral prevê que esse tipo de investigação fique por conta da Polícia Federal. Após interferência do MPF, a Justiça Eleitoral não autorizou a avocação feita pelo delegado. A Polícia Civil, não só a de Mato Grosso, precisa ser independente e autônoma para garantir lisura das investigações que a ela compete! Uma boa sugestão para a nova bancada federal eleita em outubro... * ALEXANDRE APRÁ é jornalista
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