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ARTIGO
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011, 20h:14

OSVALDO CAPRONI

As vozes dissonantes em Wall Street

A irritação do mundo com o mercado financeiro ganha corpo e se espalha para todas as partes do planeta. Recentemente nos EUA, o movimento “Ocupe Wall Street” invadiu o parque Zucotti, vizinho a Wall Street, o centro financeiro de Nova Iorque, em clara manifestação contra as grandes instituições financeiras. Protestos semelhantes e com o mesmo alvo se multiplicam em outros continentes, como o europeu. Não é de hoje que os grandes conglomerados financeiros ditam regras e tentam imprimir sua voracidade a toda sociedade civil. Os brasileiros, por exemplo, conviveram na década de 1970 com a influência direta do Fundo Monetário Internacional (FMI) na política econômica brasileira. A história foi semelhante na Argentina e em outros países da América Latina, e agora se repete com a Grécia, obrigada a seguir um receituário recessivo e acachapante para continuar no Mercado Comum Europeu. Outros países da Europa parecem se curvar ao chamado “mercado” como tábua de salvação, inclusive nomeando em seus governos pessoas muito próximas a grandes instituições financeiras, ou literalmente alinhadas ao pensamento econômico tradicional, e que certamente vão reproduzir o receituário econômico recessivo. Nem mesmo a bancarrota promovida pela bolha do mercado imobiliário americano anos atrás foi capaz de levantes contra as instituições financeiras tradicionais. Muito pelo contrário. O governo norte-americano correu em socorro a bancos que apostaram suas fichas nos mercados, revertendo a própria lógica capitalista de sobrevivência. Mesmo com todas essas experiências, o “mercado” continua ditando regras e imprimindo sua vontade. Irresponsavelmente, oferecem crédito fácil e escamoteiam riscos. O mundo virou um verdadeiro cassino com poucos ganhadores e a grande parcela da população é obrigada a pagar os trilhonários lucros bancários. As alternativas contra a ganância desenfreada do sistema financeiro capitalista existem e começam a ganhar força por meio de iniciativas mais democráticas e pluralistas. Um dos principais pilares para reverter essa lógica é a educação financeira da população, que provavelmente não vai nascer das tradicionais instituições bancárias. O negócio deles é o empréstimo fácil, e na falta de pagamento, protestar, tomar o bem financiado ou até mesmo executar financeiramente o avalista. Um das boas soluções para a educação financeira nasce das cooperativas de crédito, cada vez mais presentes no mercado brasileiro. Nelas, o gerente está despido da visão voraz capitalista e age como um consultor financeiro do cooperado. Ele tem o papel de auxiliar o cooperado a estabelecer prioridade para alcançar seus objetivos, seja para regularizar suas pendências financeiras, como tirar o nome do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Nas cooperativas de crédito, o cliente vira dono e é parte do processo, com direito a voz e voto nos destinos da instituição. Acreditamos que a sobrevivência do mercado financeiro vai depender de uma ampla revisão de suas metas. O futuro pede soluções democráticas, que ofereçam alternativas financeiras à sociedade, capazes de atender suas demandas sem gerar sua bancarrota. *OSVALDO CAPRONI - Diretor do ramo Crédito da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp)

Edição EDIÇÃO 16968




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