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ARTIGO
Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015, 20h:17

TÂNIA NARA MELO

As queimadas, de novo...

O assunto é recorrente, mas vale retomar a questão, pois nesse caso é necessário denunciar e alertar sempre, mesmo se à primeira vista os resultados não pareçam ser tão significativos. O assunto em questão é a velha prática das queimadas, que mais uma vez – e isso se repete todos os anos – tem transformado a paisagem da capital. Por aqui, para onde os olhos se voltam o que se vislumbra é um horizonte acinzentado. O resultado se traduz em péssima qualidade do ar, com a umidade variando entre 20% e 12%, com muitas consequências para a saúde da população, em especial crianças e idosos. E esse cenário se repete Estado afora, pois mais uma vez Mato Grosso continua liderando o ranking de focos de incêndio no país, com mais de 7 mil ocorrências de janeiro até agora. Lamentável. E não tem jeito, entra ano sai ano a situação se repete. Parece que se faz ouvidos moucos para as campanhas de conscientização sobre os perigos e prejuízos das queimadas no campo e nas áreas urbanas. Nos últimos anos já tivemos incêndios em áreas de reserva indígena, na qual o fogo queimou 35% da mata, no Parque de Chapada, onde foram devastados 8 mil hectares de cerrado, e em muitas outras regiões onde os prejuízos à biodiversidade foram incalculáveis. O caso mais recente tem como alvo o Parque Estadual Gruta da Lagoa Azul, na região de Nobres, onde ainda não foi possível calcular a área devastada. Como se pode perceber, as campanhas e alertas parecem de nada adiantar porque os focos de incêndio continuam surgindo, danificando mais e mais o ecossistema da nossa região. E é incrível, por mais que se façam campanhas, não se consegue conscientizar alguns produtores rurais que insistem em promover queimadas fora da época permitida. No período em que as queimadas controladas estão proibidas pelo Ibama pequenos proprietários rurais e de alguns assentamentos têm ignorado tal determinação. A consequência dessa irresponsabilidade é a destruição de nossas áreas verdes. Na área urbana não é diferente, por todos os cantos da cidade são registrados focos de incêndio que, além dos riscos de se transformarem em algo de grandes proporções, afetam a saúde de crianças e idosos. A péssima qualidade do ar resulta em sérios problemas respiratórios. Some-se a isso a precariedade do atendimento no sistema público de saúde, o resultado é a vida do cidadão cada vez mais difícil... Mudar esse quadro, com certeza, não é tarefa das mais fáceis, mas investir nas campanhas e intensificar a fiscalização ajuda, e muito, mais ainda quando se ‘pesa a mão’ no valor das multas. Até porque como já disse outras vezes, quando dói no bolso, pensa-se muitas vezes antes de se passar da ideia à ação. Aliás, para muita gente esse parece ser o único ‘incentivo’ para evitar o desrespeito às leis, em todos os sentidos e não somente em relação às queimadas. TÂNIA NARA MELO editora de Opinião do Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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