Em meio às denúncias e à tentativa de banir da vida pública os políticos corruptos e colocar na cadeia os maus administradores, o Brasil continua sendo atormentado com o descaso contra aqueles que não foram bafejados pela sorte ou, simplesmente, não nasceram ricos. Enquanto a palavra de ordem hoje em dia é apurar e apurar, um cancro social, frutos de anos e anos de omissão dos governantes, persiste e continua atingindo em cheio a população pobre: trata-se da Saúde Pública. Ou melhor, da falta dela. E é nessas horas que avivamos mais a repulsa aos governantes, aos políticos, que insistem em esconder tudo e tentam empurrar por nossa goela abaixo que tudo vai bem. São discursos intermináveis, onde os avanços entre um governo e outro são insistentemente citados. Como se no governo do outro morreram mil e no meu só quinhentos, minha administração é 50% melhor que a anterior. Esquecem-se, porém, de que não somos apenas números, quadros estatísticos ou qualquer coisa descartável. Estamos falando de vidas. Vidas humanas... E para se combater a miséria e a violência, os governos e olha que eles sabem muito bem disso têm que dedicar total atenção a três segmentos sociais: Saúde, Educação e Saneamento. Atacando essas três frentes, o Brasil, ou qualquer outra nação do mundo, terá quase que cem por cento de seus problemas resolvidos. Faltam a eles [governantes e políticos] coragem para investir em áreas que para suas carreiras políticas não dão Ibope, pouco contribuindo para a reeleição. Dar hospitais dignos para a população, remédios, redes de esgoto e educação não tem muito peso nas urnas. A solução para tudo isso seria uma mudança radical nas estruturas de governo. Se os políticos deixarem, é claro. Seria colocar a Saúde, a Educação e o Saneamento Básico como Política de Estado, e não de governo ou partido. Mas com essas três prioridades básicas valendo para qualquer governante, e ainda com sérias punições para quem as descumprirem, com certeza a realidade seria outra. Seria menos dinheiro jogado fora e servindo de grande tentação para os maus administradores. E como forma de se combater cada vez mais o corporativismo, uma maior fiscalização do Poder Judiciário. Deixar só por conta dos políticos é muito perigoso. A pedido, este recado esta sendo dado mais uma vez. Mas, como diz por ai, a memória do brasileiro é curta. E que tal insistência é chover no molhado. Será? ROSIVALDO SENNA é editor de Nacional, Internacional e Veículos do Diário
[email protected]