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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 26 de Julho de 2008, 14h:10

ONOFRE RIBEIRO

As plantas curam, ou não?

Nesta semana conversei demoradamente com a farmacêutica Isanete Bieski, supervisora do programa de plantas medicinais da Secretaria de Saúde de Cuiabá e mestranda em farmacologia de plantas medicinais na Faculdade de Ciências Médicas na UFMT. A sua preocupação e a de um grupo grande de profissionais da saúde no estado e na prefeitura de Cuiabá, além de muitos municípios de Mato Grosso, é com o resgate cultural e curativo das plantas medicinais usadas na fitoterapia. São plantas históricas e culturalmente reconhecidas gerações após gerações, usadas no tratamento de doenças. Para tratar desse assunto em profundidade, em 2005 criou-se em Cuiabá a Fazenda do Cerrado, um instituto tecnológico para pesquisas de produtos naturais, atuando junto ao governo e onde fosse possível para o resgate mencionado onde fosse possível. Atrás disso há uma história que remonta ao surgimento dos medicamentos sintéticos que contaminou o ensino da medicina e da saúde. Passou a tratar-se o indivíduo por partes, como se fosse uma máquina, e não como um conjunto e ser completo. Hoje o retorno da importância das plantas medicinais atende a uma desestruturação social e à busca de raízes culturais das pessoas. O médico não receita remédios fitoterápicos, apesar da ciência não conseguir tratar todas as doenças. O SUS acabou compreendendo essa vertente e oficializou-a recomendando e reconhecendo o tratamento pela fitoterapia, pela homeopatia, pela acupuntura e pelo termalismo. Mato Grosso tem potencial fitoterápico fantástico e espaço para pesquisas regionais, nacionais e mundiais. O governo de Mato Grosso, por lei, criou a assistência nessas áreas citadas, e construiu e equipou três farmácias de manipulação em Água Boa, Tangará da Serra e em Sinop. Em Cuiabá doou equipamentos para a farmácia de manipulação fitoterápica, sintética e homeopática, que funciona junto ao Hospital Júlio Muller, da UFMT, cujo projeto seria um modelo nacional. No programa de municipalização da saúde doou a farmácia à prefeitura de Cuiabá. Mas por causa de impasses políticos entre a prefeitura e o governo nos últimos três anos, o programa MT Farma, que estava por detrás foi desativado pelo governo estadual. Foram baldes de água fria sobre um grande número de profissionais das mais diversas áreas da saúde que tinham se dedicado e comprometido com essa forma de tratamento da saúde: médicos, farmacêuticos, enfermeiros, biólogos, agentes de saúde e nutricionistas, entre outros. Desativou-se equipes de saúde e desestimulou médicos a receitarem medicamentos fitoterápicos. Enquanto no Brasil as disciplinas relacionadas à fitoterapia farão parte dos currículos de formação médica, em Mato Grosso o programa MT Farma foi desativado. O chato disso tudo, é que por detrás das mesquinharias políticas pela paternidade de um programa, um grande resgate social e cultural vai se perder, como se perdem tantas boas idéias e projetos neste país. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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