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ARTIGO
Quinta-feira, 06 de Janeiro de 2011, 21h:24

ELESBÃO M. DA FONSECA

Ano novo, velho Brasil

Ainda está, infelizmente, presente no Brasil, a brutal desigualdade de rendas. As condições inumanas de parte da sociedade brasileira representada sem nenhuma nobreza, pelos catadores de lixo, e pela constante informação de existência de trabalho escravo. No ultimo caso têm-se o afloramento das duas pontas; os dos sem oportunidades e dos que tolhem as oportunidades dos compatriotas. No cenário educacional, um ensino público precário em que o alunado termina etapas que o qualifica legalmente para pleitear uma cadeira em universidades sem que saiba decodificar uma simples leitura de uma página. Tornou-se um dos hilários quadros de famoso comediante as “pérolas do vestibular”. A sociedade ri o riso nervoso de quem está comprometendo o futuro do país a curto e médio prazo e não busca(?), não quer(?) resolver o problema. Desafios que necessitam do engajamento da sociedade, de todos os políticos, de todos os partidos. Chamou atenção no fim do ano findo os aumentos dos parlamentares com justificativas as mais estapafúrdias. Colunista de um jornal de circulação nacional escreveu ter ouvido de congressistas sem a nomeação do/s mesmo/s a justificativa de que era necessário que assim se fizesse para que o parlamentar não ficasse tentado a ser corrupto. Ora, pois, temos então dentro desse raciocínio calhorda, rasteiro, agressivo o aval para que todos os que ganham pouco nesse país, a infinita maioria, sejam “tentados”, e aí a suprema glória do argumento, cedam à corrupção. Talvez esse/s congressista/s seja/m um/ns do/s que torçam para que a educação não alcance o seu objetivo, porque assim os nossos jovens que não tem o habito de ler revistas ou jornais (o que se há de dizer sobre leitura de livros), jamais saberão dessas noticias. Há, porém, no Rio de Janeiro, um pequeno movimento, noticiado muito tênuamente pelos sites, de estudantes contra esse aumento parlamentar. Ouviu-se também, cá no estado a voz de um senador eleito, surpreendentemente eleito na analise da grande maioria dos analistas, contra esse aumento em separado do aumento do salário mínimo. Fatos e vozes isoladas que devem ser consideradas, porque todo grande movimento começa assim, aí nasce o ronco das ruas, como dizia Tancredo. Que o senador eleito mantenha a voz viva no parlamento, estamos a necessitar de um Bonaparte Pantaneiro com idéias e ações para que, no mínimo, haja no parlamento pensamentos e ações republicanas de igualdade (sem aumentos em separado), liberdade (liberdade e independência de ações não condicionadas à valores salariais), e fraternidade (sentir-se igual a quaisquer cidadãos do país que têm responsabilidades as mais diversas, mas igualmente importante para a nação. As ações políticas com base em argumentações, em questionamentos e busca efetiva de soluções é o que esperamos de todos os legisladores e executivos eleitos e reeleitos. Espera-se, e aí a graça da política ao contrario do que alguns pensam, o encaminhamento civilizado das questões, pois a atividade política não pode, não deve e não se permite ser uma “vendetta, uma “revenge”. Covas, arquiinimigo de Maluf, em algum tempo, por necessidades superiores do estado, da nação, conviveu política e pacificamente com o mesmo. Não há uma “contaminação”, uma “Waterloo” dos que têm o ideal como norte de suas ações. O diamante, mesmo no lodo putrefato, permanece diamante. Feliz 2011. * ELESBÃO MORENO DA FONSECA, engenheiro civil e músico [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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