Na semana passada o presidente Lula lançou no Rio de Janeiro, na sede do BNDES, o Fundo Amazônia recém-criado. Ao seu lado, aparecem sorridentes na foto o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Nada demais, se o fundo não fosse o da Amazônia e se ali estivesse pelo menos um dos sete governadores da região (Amazonas, Pará, Mato Grosso, Roraima, Amapá, Acre e Rondônia). A foto publicada nos jornais chega ser agressiva, de tanta desfaçatez. Ora, quem está no meio do fogo cerrado do próprio Ministério do Meio Ambiente, é a Amazônia, por contradições ambientais. O Fundo Amazônia destina-se à Amazônia. E foi lançado no Rio de Janeiro. Sem falar que da Mata Atlântica só restam 4 por cento e que o Rio de Janeiro não fez o seu dever de casa ambiental e nada tem a comemorar nessa área, apesar de não estar sendo importunado pelo Ministério do Meio Ambiente. O Fundo Amazônia prevê o investimento de fontes internacionais para desenvolver projetos que combatem o desmatamento na floresta amazônica, sem compromete a soberania do país. Será administrado pelo BNDES, por delegação do Ministério do Meio Ambiente, e terá no primeiro ano U$ 1 bilhão de investimentos, dos quais os primeiros U$ 100 milhões, vindos da Noruega, no previstos para o mês de setembro próximo. Mas a grande questão que volta, é que nenhum dos sete governadores foi convidado a estar lá e de algum modo opinar sobre a questão. Mais uma vez o poder discricionário da centralização de poder no governo federal repete a cantilena: determina e depois cobra dos interessados. Aqui em Mato Grosso muito gente interpretou como deboche a atitude e foto do governo federal, do presidente da República, do ministro Carlos Minc e do governador do Rio de Janeiro, na foto amplamente distribuída pelo serviço de comunicação da presidência da República. Enquanto isso, aqui na região amazônica, bois magros chamados de bois piratas pelo ministro do Meio Ambiente emagrecem e morrem sem comida, sem água e sem compradores. É o jeito federal de lidar com as realidades amazônicas, filtradas pela lente urbana onde prevalecem os preconceitos e a desinformação, que dita medidas políticas casuísticas. Hoje, em Cuiabá, haverá uma reunião de governadores amazônicos e do Ministério do Meio Ambiente para discutir o já criado e sorridente fundo carioca para a Amazônia. Mas o presidente da República parece estar seguramente convencido pelo seu ministro e, provavelmente, pelo sábio aconselhamento do governador do urbaníssimo Rio de Janeiro, que o Brasil vai falar grosso para defender as suas responsabilidades sobre a Amazônia. E na reunião de Cuiabá, provavelmente, se divulgará as cobranças sobre os estados amazônicos, depois da festa do Rio de Janeiro. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste
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