Recentemente, o assunto legalização das drogas voltou à cena mais uma vez, como pudemos observar neste período eleitoral em Cuiabá. E, mais uma vez, foi abordado de forma rasa, apelativa e, a meu ver, irresponsável. O discurso de sou contra as drogas e irei combatê-las é um discurso preguiçoso, senso comum, superficial. Não acho que preciso ser um especialista em segurança pública para afirmar que proibir não funciona, já que os fatos falam por si só. As pessoas nunca deixaram de consumir drogas por elas serem proibidas. Países que proibiram as drogas viram os índices de consumo evoluírem de forma muito parecida com países que escolheram o caminho da regulação. Proibir é absurdamente caro. Colocar um sujeito na cadeia por usar drogas é muito mais caro do que tratá-lo, com a diferença de que colocá-lo na cadeia faz com que seu consumo de drogas aumente, enquanto que o tratamento realmente funciona em uma porcentagem alta dos casos. Proibir causa mais problemas que as próprias drogas. A proibição aumenta o preço das drogas e cria um mercado gigantesco e bilionário que financia o crime e corrompe o Estado. Enfim, para resumir: temos uma política cara que não resolve nenhum problema e que cria vários outros. Por que não muda então? O principal motivo é que os políticos adoram a proibição. É como disse muito bem a juíza americana Nancy Gertner: a guerra contra as drogas dá aos políticos uma bandeira que não ofende ninguém, não requer que eles façam nada difícil e permite que eles adiem, talvez indefinidamente, as questões mais urgentes sobre o estado das escolas, da moradia e do emprego para jovens negros. A guerra contra as drogas é a guerra perfeita para quem prefere não lutar. Os políticos podem posar destemidamente ao lado do bem, da verdade, do belo, sem precisar fazer nada. É muito fácil perceber que o nosso sistema político, infelizmente, está contaminado de uma (covarde) raça de políticos: aquela que não enfrenta os problemas, apenas finge ser durona para aparecer bem na propaganda gratuita eleitoral. A proibição não vai acabar enquanto esses políticos se safarem com essa picaretagem. Só uma mudança de atitude do eleitorado vai mudar essa situação. E os eleitores só vão mudar de atitude quando entenderem que defender a proibição é igual a defender o tráfico. Afinal políticos proibicionistas são aliados do tráfico. HELSON FRANÇA é repórter