Desde ontem, estão proibidas as queimadas no território mato-grossense. Até setembro apenas as queimadas em canaviais, necessárias para a colheita da cana, podem ser realizadas. Espera-se que este ano, assim como nos anteriores, não se repita a façanha de colocar o Estado na liderança do ranking nacional das queimadas. Todos os anos são feitos alertas e campanhas de conscientização, mas eles parecem não surtir grandes efeitos, embora a multa para quem desobedecer a portaria do Ibama que proíbe as queimadas seja de R$ 1.500 por hectare. O período de seca está apenas começando e inúmeros focos de incêndio já foram registrados. E não são apenas nas áreas de plantio. Aliás, nesse caso esta é uma prática bastante comum já que é o modo mais rápido e barato para preparar o solo ou limpar o terreno para o cultivo no fim da estação seca. Até porque, queimando pastagens antigas antes das primeiras chuvas, os criadores garantem que o capim rebrote mais atrativo para o gado. Áreas de proteção ambiental também acabam prejudicadas nessa época. É o caso do que vem ocorrendo no Morro de Santo Antônio de Leverger, que há pelo menos dois dias vem sendo consumido pelo fogo. Outra área que sempre é alvo do incendiários é o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Ano após ano, alguns hectares de área verde são destruídos pelo fogo, como consequência de um churrasquinho dos turistas de fim de semana. O parque já foi vítima de uma ação criminosa que quase pôs fim a uma das mais belas áreas verdes do estado e que atrai milhares de turistas à região. Todos os anos o fato se repete, parece um ritual. As campanhas de conscientização parecem não surtir efeito, a imprudência e a irresponsabilidade continuam prevalecendo. Então, voltamos a sugerir uma punição mais rigorosa para os incendiários. Multas pesadas podem não resolver o problema, já que as queimadas parecem ser uma prática inserida na questão cultural, mas podem amenizar a situação em muitas regiões. Quando dói no bolso, pensa-se até três vezes antes de se passar da idéia à ação. Pelo menos essa é a nossa esperança... quem sabe. *TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião
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