NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Quarta-feira, 08 de Junho de 2011, 21h:44

ROMILDO GONÇALVES

Aguenta, rio Cuiabá!

Agredido por treze cidades inseridas em sua bacia hidrográfica, que emitindo diariamente 70% de esgoto in natura em seu leito, indústrias, lavouras e produção de subsistência seguindo o mesmo ritmo, pesca predatória da nascente à foz, e mesmo assim ele ainda insiste em respirar e perpetuar a vida. De quem estou falando? Do generoso rio Cuiabá! Rio que histórica e economicamente todos nós, mato-grossenses de nascimento e que aqui aportam, sabemos o quanto foi, é, e será importante em nossas vidas e nunca o contrário. Para uma sociedade humana que soube harmonicamente conviver por séculos com essa dádiva de Deus, tendo nela sua fonte de lazer, inspiração, e principalmente como base alimentar, pela grandeza de seus recursos pesqueiros naturais, ver tudo se transformando para pior numa rapidez sem igual, é realmente assustador. O mais temeroso de tudo isso é saber ninguém está fazendo nada para reverter esse quadro desolador. Na década de 80 a vida corria solta e sadia nesse caudaloso manancial chamado rio Cuiabá. Naquela época, pescarem-se belos exemplares de peixes no perímetro urbano da capital mato-grossense era senso-comum: pintados, pacus, dourados, cacharas... Assim como se apreciavam praias com areias brancas e águas límpidas, vegetação nativa cobrindo suas margens e servindo de alimentação à ictiofauna era vida rotineira. Ambiente peculiar de contemplação das manhãs dominicais da cuiabania. Hoje contaminado com 72% de esgoto in natura e lixo não-biodegradável proveniente da capital, uma vergonha escancarada, não? Que o diga o eminente deputado Sérgio Ricardo, que vive a gritar aos quatros cantos tentando salvar o querido rio Cuiabá. Ignorar a situação de deterioração por que passa essa fonte de vida é contribuir para seu agravamento. Inúmeras espécies de micróbios, vermes, fungos e bactérias flutuam a céu aberto no outrora límpido rio Cuiabá, vergonha não? Vê-se hoje que o rio Cuiabá é mais uma questão de saúde pública do que de um rio propriamente dito, vergonha não? Essa é uma realidade feia, incontestáveis e descabida, descompromissada dos gestores públicos, para com o meio ambiente, vergonha não? Pergunta-se: até quando vai perdurar esta situação vexatória? Como ficará o abastecimento de água na Grande Cuiabá, Várzea Grande... Ali pelos anos de 2020? 2030? 2050? E como fica a vida da população humana aqui vivente? Cadê os poderes constituídos? Cadê a sociedade, que não cobra? E também nada faz, não é mesmo? Cadê os dirigentes públicos de plantão? Penso sinceramente que não se resolve a questão simplesmente dizendo que Mato Grosso é ambientalista, ecologista, naturalista, cientista... Quando na prática nada se faz, e o rio continua morrendo lenta e gradativamente. Mato Grosso vive um forte crescimento demográfico com taxa média de 6,5% a 7,0% ao ano, sendo a capital mato-grossense o principal foco de convergência migratória, forçando um crescimento periférico desordenado. Por outro lado, o poder público continua numa letargia sem precedentes, o que complica ainda mais a preservação desse importante rio e sua bacia hidrográfica. Até quando isso vai perdurar? Entidades de classe se manifestam com passeatas, vigílias, debates... Porém, isso é muito pouco, é preciso que o poder público ponha o dedo na ferida, e limpe a parte necrosada em questão. Caso contrário, o rio Cuiabá não resistirá por muito tempo. E você, o que tem feito como cidadão? *ROMILDO GONÇALVES - Biólogo, mestre em Educação e Meio Ambiente, perito ambiental em Fogo Florestal e prof./pesquisador da UFMT/Seduc [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL