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ARTIGO
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004, 21h:21

ALECY ALVES

Adultos frustrados?

O que leva o adulto a maltratar, torturar e até matar uma criança? Frustração profissional, pessoal e afetiva? Incapacidade de amar por não ter amor-próprio e ao próximo? Demência? Ou seria a soma de todas essas questões? Se nem os estudiosos da mente e do comportamento humano sabem responder eu, leiga no assunto, é óbvio que também não saberia. Entretanto, atrevo-me a fazer algumas suposições. Não vejo outra maneira de definir o sentimento daqueles que maltratam, torturam ou matam crianças se não dizendo que são seres confusos, que vivem frustrados e em desequilíbrio mental. Seres que reclamam muito da vida que levam – seja em voz alta ou no seu íntimo - por não terem realizado seus sonhos. Que também podem ter sido ou estarem sendo vítimas de violência. Que não sabem amar porque nunca receberam amor. Que sentem a necessidade de descontar em alguém a indiferença daqueles que pensam que amam e de quem acham que deveriam, obrigatoriamente, receber amor. Que agem por pura covardia por não terem coragem suficiente para enfrentar seus próprios fantasmas ou os adultos que os maltratam. Acredito que, além de cometer crime hediondo e merecer punição severa, aqueles que torturam ou matam crianças precisam da ajuda de profissionais especializados para aprender o que é amor-próprio, e que alguém só sabe dar amor quando ama a si mesmo, se é que essa seja missão possível. Esta semana, eu, que já vinha refletindo sobre a violência infantil pelos dois casos recentes das babás que foram filmadas espancando crianças, um em Cuiabá e outro no Rio de Janeiro, fiquei chocada com a mãe que matou os dois filhos. Uma menina de três e um bebê de dois anos foram afogados no reservatório d’água que era mantido dentro da casa - numa favela na cidade de São Paulo. A mãe, se é que podemos chamá-la assim, segundo informações levantadas pela imprensa, teria declarado semanas antes que se não conseguisse matar o marido até o domingo (último passado), mataria os dois filhos no dia seguinte. O marido não deu importância à ameaça, por achar que sua mulher não cometeria tal atrocidade. Pois não é que ela cumpriu a ameaça macabra? ALECY ALVES é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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