Invasões de terra, ocupações de prédios, bloqueio de rodovias e protestos dão a tônica de mais um abril vermelho, ou ajornada de luta como o movimento prefere chamar, promovido pelo MST Movimento dos Sem Terra para chamar a atenção do governo sobre a tão propalada e prometida reforma agrária. Até agora, segundo balanço do próprio MST, que quer o assentamento de 90 mil famílias acampadas, o número de ocupações já chega a 42, sendo o estado de Pernambuco o mais atingido pelas invasões. A meta do MST é somar mais de 100 ocupações em todas as regiões até o final deste mês. Embora o movimento insista em dizer que as terras invadidas são áreas improdutivas, os fatos mostram que isso nem sempre corresponde à verdade. Muitas das fazendas ocupadas são produtivas, como é o caso ocorrido no interior de São Paulo, na região de Pontal do Paranapanema, onde integrantes do movimento ocuparam uma fazenda pela 18ª vez. E esse não é um caso isolado, outros semelhantes se repetem em vários pontos do país. E em alguns locais a passagem dos invasores nessas áreas é tal qual um verdadeiro furacão que arrasta tudo o que vê pelo caminho. Quando desocupam a terra presenteiam os proprietários com grandes prejuízos. Além das fazendas ocupadas, os bloqueios nas rodovias - monitorados de perto pela Polícia Rodoviária Federal que não tem autorização para impedir a ação - causam inúmeros transtornos e provocam a ira de quem precisa usar as estradas para se locomover. É o cerceamento ao direito de ir e vir dos cidadãos. Esse tipo de protesto não acrescenta nada no que diz respeito a atingir os governantes para que atendam às reivindicações. Na verdade, somente tumultuam a vida de quem trafega nas rodovias e gera mais impopularidade ao movimento, que nos últimos anos perdeu a força de outros tempos. O governo, por intermédio do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, prometeu que, consumada a desocupação, vai fazer de tudo para atender às reivindicações justas deles. O governo faz promessas e está sentindo na pele o drama vivido por governos anteriores, que também enfrentavam o problema das invasões e recebiam críticas por só fazer promessas, e não tratar o assunto com a devida responsabilidade. Com o governo petista, os sem-terra acreditavam que enfim a tão esperada Reforma Agrária, com todas as suas benesses, seria concretizada. Afinal, quem hoje está no poder sempre apoiou as reivindicações e as ações dos que lutam pela terra. Mas o que se vê hoje são as mesmas reivindicações do passado. A diferença está na complacência com as ocupações. Pelo andar da carruagem, muitos outros abris vermelhos ainda estão por vir até que as reivindicações dos sem-terra sejam atendidas. A baderna e o desrespeito à propriedade vão continuar! TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário
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