Não sei ao certo que palavra utilizar para definir o que aconteceu no Lago de Manso no dia 24 de abril deste ano, no treinamento em que morreu o soldado alagoano Abinoão Soares de Oliveira e outros policiais quase tiveram o mesmo fim. Após assistir a apresentação da delegada Ana Cristina Feldner, que presidiu o inquérito, ter acesso a fotos, vídeos e trechos dos depoimentos de colegas de curso do policial morto, o meu pensamento repetia: ABOMINÁVEL. Isso é Abominável. Indagações também vieram à minha mente. Com que finalidade um policial deveria ser mantido submerso durante cinco minutos, segurado por instrutores? Saber em quanto tempo morreria por afogamento? Quantas mortes ocorreriam nesse período? Inevitavelmente, a conclusão desse caso me fez reviver outros trágicos episódios envolvendo integrantes da Nossa Gloriosa Polícia Militar. Que me desculpem os homens e mulheres de bem, profissionais honestos e de caráter que fazem parte da corporação que, acredito, sejam a maioria. A verdade é que nossa Polícia Militar tem feito uma M... atrás da outra. O pior de tudo, é que as operações desastradas não vitimam seus próprios autores, mas pessoas de bem que nada têm a ver com essa falta de preparo, consciência e respeito para com a vida do outro ser humano. Relembro abaixo alguns dos casos que considero inadmissíveis numa instituição onde todos os seus integrantes passaram por capacitação prévia. E ainda, numa carreira que tem como princípio básico a defesa da vida do próximo mesmo quando essa tarefa significar sua própria morte. Como explicar os casos: Matupá, quando PMS atearam fogo em pessoas vivas; Cadetes, a morte de dois alunos do curso de oficiais durante treinamento em um lago no município de Cáceres; Dezorzi, a morte do subtenente do Exército durante uma operação em que a PM utilizou mais de 40 homens, 10 viaturas e um helicóptero para conter um idoso de 72 anos, Simulação de Seqüestro, o treinamento de um seqüestro, ocorrido na cidade de Rondonópolis, em que os policiais usaram balas de verdade ao invés de balas de borracha que acabou com a morte de um estudante e duas pessoas feridas. Se o natural da vida seria aprendermos com nossos próprios erros, gostaria de saber por que essa máxima não se aplica a PM-MT. ALECY ALVES é repórter