Mato Grosso é um estado privilegiado em riquezas naturais, flora fauna, recursos hídricos, recursos minerais e recursos edáficos com solo fértil e generoso, onde tudo que se planta colhe, além das condições climáticas perfeitas para boa produção e produtividade, quesitos básicos para o desenvolvimento. Todavia, no que se refere à preservação ambiental há uma gigantesca questão a ser resolvida. Sabe-se que Mato Grosso sofre forte e contínua pressão antrópica sobre seus ecossistemas naturais, por isso conciliar desenvolvimento com preservação é uma questão ainda a ser desvendada. Nesse front a Secretaria de Estado de Meio Ambiente tem um papel primoroso a cumprir, vincando como uma das principais secretarias de Estado, a mirar preservação/produção com desenvolvimentos essencialmente sustentáveis. É exatamente aí que o Estado precisa estar atento, tendo uma secretaria que responda à altura as suas prioridades. Para tanto, é preciso que a Sema esteja umbilicalmente lincada com a política ambiental de preservação e conservação em conformidade com o que preceitua a legislação brasileira. No entanto, parece não ser isso que se vê, com a precisão que a sociedade humana requer enquanto direito basilar a ser cumprido pelo poder público. Não permitir o uso aleatório dos recursos naturais é sem dúvida uma de suas missões, no entanto o que se constata é uma secretaria míope, acanhada quanto a seu potencial como instituição, necessitando de uma visão macro como gestor das questões em foco. Entender o Estado ambientalmente de forma holística, compreendendo a importância do tripé preservação/produção/desenvolvimento, como conceito intrínseco, é a questão. Sabe-se que a base econômica de Mato Grosso está fundamentada na produção primária no uso direto da terra, na agropecuária=agricultura+pecuária, no extrativismo vegetal, com traços na produção mineral e mais recentemente na produção hídrica de energia limpa com toda pungência desse contexto vindo de fontes primárias. É exatamente nesse front que a Sema precisa estar atenta, estar muito além de uma visão provinciana, precisa agir e interagir com a magnitude desse gigante abençoado. Sem entrar no mérito da questão no século 21, a Sema foi atingida sem dó e piedade por avassaladores, escândalos de corrupção, desmando... Assustando literalmente a sociedade humana mato-grossense, deixando transparecer que a Pasta perdeu seu prumo, seu foco de gestão, seu comprometimento com a missão que lhe cabe. Certamente, não por culpa dos funcionários de carreira! No entanto, hoje a Sema é mais conhecida pelo que não deveria fazer, do que pelo que faz! Exemplo? 154 PCHs, todas irregulares! Sabe-se que a questão ambiental é extremamente complexa, embora seja uma Pasta eminentemente técnica, é ao mesmo tempo política holisticamente falando, pois para lá convergem interesses difusos e muitas vezes conflitantes, sejam eles econômico-sociais-ambientais, oriundos da iniciativa privada ou do próprio poder público. Temos dois caminhos a seguir: preservar produzindo ou produzir preservando, por isso conciliar essa questão é a questão! Para caminhar nessa seara é preciso conhecer, entender e compreender a gestão pública e o papel da secretaria no contexto. É certo que a vida nos ecossistemas mato-grossenses tem se degringolado muito nos últimos anos. Questão para forte reflexão, não? Nesse viés a partir de 2000 foca-se o início do declínio ambiental em Mato Grosso, tornando-o líder absoluto em desmatamentos ilegais, queima sem controle, incêndios florestais, destruição da biodiversidade, degradação ambiental, poluição hídrica, poluição atmosférica... Sem falar no paradoxal controle imposto ao produtor rural, manchete de senso comum na mídia! *ROMILDO GONÇALVES é biólogo, mestre em Educação e Meio Ambiente e perito ambiental em Incêndio Florestal
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