ARTIGO
Terça-feira, 17 de Maio de 2011, 20h:25
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CAROLINA HOLLAND
A Saúde, de novo
Como repórter, eu já perdi a conta de quantas matérias escrevi sobre o estado da Saúde pública em Cuiabá e no Estado. Mas há pouco tempo pude sentir na pele, depois de algum tempo, o que é depender desse serviço. Há pouco mais de uma semana, minha avó passou mal e meus pais levaram-na a uma policlínica perto de casa, por volta das 3h. O médico diagnosticou um princípio de infarto. Verdade seja dita, ela foi muito bem atendida pelo profissional e encaminhada para o Pronto-Socorro de Cuiabá, onde o atendimento também foi bom. O cardiologista pediu alguns exames para saber se ela ia precisar fazer um cateterismo. Acontece que o resultado só ficaria pronto horas depois e, sentindo-se melhor - apesar da fraqueza -, minha avó pediu a meus pais que a levassem pra casa, porque não havia lugar para ela se deitar no PS enquanto aguardava os exames. Fiquei com a responsabilidade de voltar à unidade hospitalar com minha avó pela manhã para pegar os resultados e levá-los ao cardiologista de plantão (o turno do médico que a atendeu de madrugada havia terminado). Pois bem, chegando lá, por volta das 7h30, fui informada pela atendente de que minha avó não deveria ter ido embora e, sim, permanecido no pronto-socorro até o exame ficar pronto. Eu respondi que ela queria se deitar e que não tinha lugar lá pra isso, por isso foi pra casa. A atendente deu de ombros. E disse pra eu tentar pegar o resultado dos exames, mas que não ia adiantar nada porque o cardiologista daquele turno já tinha estado no hospital pouco antes de eu chegar, examinado os pacientes, e ido embora. Eu perguntei pra ela o que aconteceria se um paciente chegasse ali precisando do atendimento de um cardiologista. De novo, ela deu de ombros. Mesmo assim, peguei os exames e tentei a sorte com o clínico geral. Muito educado, ele examinou minha avó e disse que ela estava melhor e podia ir pra casa, mas que eu precisaria levar os exames para um especialista, ou seja, um cardiologista, a fim de confirmar a necessidade de um cateterismo. Depois de acomodar minha avó em uma das cadeiras da recepção, fui de novo falar com a atendente. Perguntei se havia algum cardiologista em alguma policlínica em Cuiabá naquele momento. Ela disse que não. Perguntei a que horas o cardiologista ia voltar ao pronto-socorro. Ela deu de ombros. Fiquei pensando que deve ser mais ou menos assim que os responsáveis pela Saúde agem quando leem as notícias sobre o caos na Saúde em Cuiabá e no Estado. Dão de ombros! CAROLINA HOLLAND é repórter