Há algum tempo se fala se discute e se propõem Políticas Educacionais sem se considerar a continuidade, a eficácia e eficiência dessas medidas que devem, antes de tudo ser competentes, duradouras e de efeitos culturais que consolidem a superestrutura ideológica de nosso país. Regra geral tais políticas são temporárias, provisórias, inconsistentes e, sobretudo, não consolidam a cultura nacional-ideológica brasileira, refletindo muito mais políticas de governo com interesses imediatos de causar impactos eleitoreiros. Fatos estes que refletem no meio social e profissional de toda a sociedade de forma contundente e negativa. Prova disto é que a sociedade responde com descaso e sofre as conseqüências dele, pois não absorve e nem identifica as verdadeiras intenções das autoridades da área. Aí está mais um resultado desta inferência, o Ministério de Educação está buscando a recuperação da credibilidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que, juntamente com outros instrumentos qualitativos do ensino, o que prova é uma sucessão de erros. Tais como vazamento de provas, fraudes até em concurso público, taxas crescentes de abstenção nos exames, evasão escolar, desinteresse pelo estudo, falta de leitura nas escolas de primeiro, segundo e terceiros graus e incompetência profissional, tanto no serviço público quanto nas empresas privadas. Esta busca incessante pelos meios de avaliação da qualidade de ensino, está demonstrando muito mais a incerteza e incapacidade de se definir instrumentos adequados não só de aferição, mas, sobretudo de uma certeza das Políticas Educacionais em nosso país. Estes fatos nos têm deixado nos últimos lugares do ranking mundial e o que é pior, o país não consolida sua direção em ampliação de controle de inovação, criação e propriedade de novas tecnologias, o que nos torna cada vez mais dependente da compra de patentes e pagamentos de royalties. Enfim, dependência do capital estrangeiro e falta de independência cultural e ideológica. O que inclusive nos faz conviver com turbação intelectual de nossos políticos, responsáveis por estas indefinições no Congresso e que não se consegue cumprir, pois se perdem em negociatas de interesses imediatistas no meio da balbúrdia ética sem direção moral correta e adequada. A falta de princípios morais básicos e que comprometem a formação da personalidade adulta tem sua origem na infância despreparada e sem apoio paterno que orientem numa direção em defesa do interesse social e do patrimônio nacional. A desorientação da juventude que vemos na mídia nacional, o recente episódio catastrófico nos campos de futebol e em algumas universidades e escolas brasileiras, com desrespeito a torcedores, a colegas e a professores reflete e demonstra esse despreparo de convivência sócio-política nacional. O vandalismo, a corrupção, a violência, o desrespeito de convivência, com o simples não cumprimentar em elevador ou no ônibus e até mesmo na igreja, refletem uma cultura distorcida de nosso povo, pois falta a direção cultural que deveria ser impressa nas políticas públicas. Jogo de bicho em Assembléia Legislativa! Ou em órgãos cuja concessão é dada pelo Governo! É de estarrecer. De nada adiantam medidas de avaliação se o que há a avaliar não reflete um direcionamento de políticas públicas que preservem o interesse ideológico-cultural de um povo. É dar um tiro nágua como Antonioni em seu filme cultural de antanho. Os números de uma revista nacional nos assuntam e confirmam nossa assertivas, in verbis: A desistência dessas grandes universidades explica por que 38% dos 4,1 milhões de inscritos faltaram à prova no último fim de semana a maior debandada desde que o exame foi criado pelo MEC, em 1998. Para esses estudantes, o Enem perdeu o sentido. O nexo causal não está na imediatidade do Enem, com afirmam as autoridades atuais do ensino nacional, mas na razão maior e profunda de uma Política Pública Educacional muito mal dirigida e que não levará a lugar nenhum se conduzida desta forma. Eis que afirmam: O próprio ministério concorda que a origem de tantos problemas está na velocidade com que a prova foi colocada de pé, em apenas cinco meses a tempo de sua estreia ocorrer ainda neste ano (e trazer, eventualmente, dividendos eleitorais em 2010). Os erros do ensino nacional já se conhecem há muito tempo e de nada adianta tentar convencer a nação de que não se sabe e que já passados alguns anos de governo do PT (no segundo mandato, pleiteando um terceiro) ainda se tenha que elaborar diagnósticos! E, principalmente, jogando culpa em terceiros, como é de costume do atual governo. Creio que chega de engodos educacionais e culturais e ainda de outras ordens. É muita desculpa para muitas incompetências juntas. * ILSON SANCHES, Advogado em Mato Grosso e Professor universitário
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