Voltemos um pouco no tempo. No ano de 1.880, Thomas Edison patenteou o sistema de distribuição de energia elétrica. Um ano antes, 1879, havia criado a primeira lâmpada elétrica viável. Logo após, em 1.882, o engenheiro Henry W. Seely obteria a patente do ferro elétrico. Henry Ford fundou a Ford Company em 1903, revolucionando os métodos de produção e gestão, pois em 1914 já era capaz de fabricar um carro a cada 98 minutos, além de pagar polpudos salários a seus empregados 5 dólares por dia. Esses e outros tantos fatos, na prática, como o ajudam na condução dos seus negócios hoje? Importantes, interessantes, contudo a não ser você vá desenvolver trabalhos de história empresarial a aplicabilidade deixa a desejar não? Luca Pacioli, pai da contabilidade, nos deixou em 1.517. De lá para cá a técnica e os recursos mudaram muito, não? Ora, porque gastar um ano na faculdade preso a seus conceitos? E os mais populares, Taylor 1856 1915 e Fayol 1841 - 1925? Esses sim são unanimidades. Pergunte a quem cursou uma faculdade de administração, contabilidade ou mesmo de economia, o que lembra de teoria de administração. A resposta será direta: - Estudei Taylor e Fayol. - Excelente, dois gênios, mas diga o que eles fizeram? Por favor, não espere resposta, e se derem veremos que estudaram mais a história dos personagens do que a aplicabilidade de suas técnicas. Pois é, e o curso não era de história. Quem assim ensinou, assim aprendeu! Já ta no DNA. Para os que ainda não ingressaram na vida profissional, apenas atendem a faculdade, a conversa não empolga. Agora imagine para aqueles que estão envolvidos na problemática do dia a dia? Há uma questão interessante. Quando cursei contabilidade, à noite, alguns colegas de classe trabalhavam comigo, na mesma empresa. Todos eram da área, menos eu, pois estava lotado em projetos econômicos. Não tinham a menor dificuldade para fazerem lançamentos contábeis, conciliações de contas, fecharem balanços anuais com todas as suas peças, zerando saldos poucos sabem prepararem relatórios com índices econômicos, mas na hora de fazer os lançamentos e as continhas com os T, na classe, se perdiam. Na área econômica, eu vivia envolvido em projetos com milhares de revistas com índices naquela época a inflação comia solto então não dava para abrir mão. Quem estudava economia e me via mexendo com aquilo tudo ficava espantado e assustado. Assim também se sentiam os já formados, que não militavam na área. A razão eu entendia, pois só fui exposto àquilo porque caí de paraquedas naquele setor. Felizmente, uma pessoa me escolheu pelo potencial e não pelo conhecimento. Dependesse disso estaria frito. Há pouco tempo, uma pessoa da família abandonou o mestrado em engenharia. Tentei, ainda, fazer com que revisse a posição. Não teve jeito. Estava irritado com o que considerava tempo perdido. Dizia: - Não tem nada a ver com minha realidade. Recebo constantemente de meus filhos duas lições, que insistem em repetir. Um é jornalista e me diz preciso de exemplos para aprender, o outro é engenheiro civil e insiste neste momento, para me atrair, só com alta dose de realidade. Jovens, dispostos a crescer, em um mundo em constante mutação, estão ávidos por materialização. Não adianta divagar, seus amigos também são assim e dizem: - Tio, isso é que paga as minhas contas. Quando tratarmos da realidade do ensino, da qualificação profissional, que tal ensinar aquilo que paga as contas? Que nos dêem licença Taylor e Fayol, com todo apreço que lhes temos, para que, como fizeram em suas épocas, possamos tornar a realidade do ensino o ensino da realidade. *IVAN POSTIGO - Diretor de Gestão Empresarial www.postigoconsultoria.com.br
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