Todos os dias, um novo susto pelo ronco das algemas da PF que faz a terra tremer. É uma mistura de coisas boas e más, como as prisões de ontem de madrugada de tanta gente boa na operação contra o tráfico de drogas internacionais e que atingiu um monte de gente nova deste novo Mato Grosso. Só não vi na fila das algemas da PF, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC do PSDB. Justamente ele que, também justamente ontem, deu declarações à imprensa do mundo a favor da liberação de todas as drogas existentes. Mas, há coisas boas existentes debaixo do solo do Brasil. Além do Aqüífero Guarany, o maior depósito de água doce do mundo, alguns poucos quilômetros abaixo de nosso chão, temos o fim dos tempos da impunidade do MST que ontem sofreu nova derrota perante os discursos no congresso que luta pela renovação e pelo resgate dos valores da classe política. Os cientistas apenas torcem para que o nosso aqüífero não desabe lá para o fundo do centro da Terra. Explico. É um imenso depósito de água doce situado abaixo do solo brasileiro e que compreende mais da metade do Brasil. Vai do Estado de Tocantins até o Rio Grande do Sul. Mato Grosso no meio. Caso alguém bater o pé com muita força é capaz de furar essa capa de terra e ir parar nessa piscina gigantesca sem retorno. É claro que tais brincadeiras são próprias do brasileiro. Mas, que o negócio existe aí embaixo de todos nós, isso existe mesmo. Sua durabilidade, sua resistência nos leva à pergunta inevitável: até quando essa fina camada de terra do solo brasileiro vai agüentar a tamanho peso das bandidagens do Brasil? O Brasil pode até sumir do mapa se Deus ficar mais zangado com esse ziguezague aqui em cima desse reservatório. A grande novidade do momento é a decisão presidencial de que todas as ONGs do e no Brasil estão proibidas de receber verbas públicas e, por cima, dar conta do que já receberam, como acontece com o MST, alvos, hoje, de auditorias, fiscalizações, elas que tanto fiscalizaram os outros, e, também por determinação direta da presidente Dilma, a Polícia Federal já está de posse de coisas do arco da velha que até eu quase nem acreditei. Gente boa, sem fiscalizações cometeram um grave terremoto que balançará madrugada futura das algemas da PF que cumprirá a determinação do Ministério da Justiça por ordem direta de Dilma Roussef, como já foi amplamente noticiado. Finalmente, os intocáveis deuses do judiciário, cito os maus, querem o fim do CNJ que impede que um juiz mate seu vizinho cidadão, impunemente, só porque estacionou meio minuto em frente de sua garagem. Ou julgue culpado um cidadão apenas porque, quando crianças, brigaram por questões escolares ou por inveja social nessa nossa cuiabania. Arestas imperiais estão ruindo no Brasil contra o corporativismo acentuado dos reis e rainhas, falo dos maus, onde resta - e contamos apenas - com o CNJ para que todos sejam iguais, acabando com aqueles mais iguais do que outros. O Brasil inteiro já sabe que ainda restam apenas duas classes corporativas exigentes e persistentes que encostam as presidências da República nos cantos das paredes até hoje: o judiciário e os militares! E um cofre vazio que nem dará para pagar o 13º salário. Parte do judiciário de MT só não afundou no Aqüífero Guarany por causa da maioria boa, como um desembargador do porte de Benedito Pereira do Nascimento, infelizmente aposentado pela idade atingida, entre tantos outros bons. Finalizo perguntando: a quem interessa o enfraquecimento do judiciário? A resposta óbvia que doutas autoridades fornecem é: os bandidos! E a quem interessa o enfraquecimento do CNJ hoje? * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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