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ARTIGO
Quinta-feira, 15 de Maio de 2008, 20h:37

PAULO RONAN

A piada pronta de Mantega

Nunca gostei de humoristas. Tirando Chico Anísio que não pode ser chamado como tal, visto tratar-se de um intelectual, compositor, ator, cantor, etc, vocês já viram algum deles interessante, simpático, cheio de amigos, mulheres, etc? São chatos, agressivos, reclusos e cheios de tensão. Viram o que aprontaram Jaguar, que era um sujeito interessante, e Ziraldo, no final da vida? Acessaram uma grana preta do orçamento da União por conta de um suposto prejuízo por terem sido prejudicados pela ditadura? Deve ser pelo mundo de dinheiro que fizeram esculhambando os generais e vendendo como piada através do Pasquim para a elitezinha de Ipanema e do Leblon no Rio de Janeiro. Li uma entrevista com Angeli, babaquice e arrogância a toda prova. Aqueles irmãos Caruso, insuportáveis. E tem o Macaco Simão da Folha de São Paulo que só ele ri dele mesmo. O nome que escolheu para si já mostra a “semgracesa” dele. Boa esta palavra entre aspas hein. Mas este Simão, apesar de humorista, criou uma boa alcunha para o Brasil. O país da piada pronta. Todo dia é uma piada, um factóide vindo dos governos. A piada pronta de agora vem do ministro Mantega. Já tivemos toda espécie de ministro da Fazenda; sofisticado, como Moreira Salles; culto e intelectual e do alto nível teórico, como Mário Henrique Simonsen; digno e humanista como Funaro; boêmios, políticos, e até gente do tipo Delfim Neto e Roberto Campos. Mas que não entende de economia, só agora apareceu um. Lula, folgado com a economia sendo tocada pelo Banco Central, deixa correr solto o malanismo que vem funcionando desde Itamar e anda sozinho e pos este ministro para dar entrevista. Estamos no país da piada pronta, lembrem-se. E depois de termos um técnico da seleção que não entende de futebol, Lazzaroni na Copa da Itália, temos agora um ministro da Fazenda que não entende absolutamente nada de economia. Lula o usa como um selo de qualidade junto aos setores anti-Meirelles encastelados no PT e em setores marginais do poder. Por conta disso não tem função específica no governo. A única missão que recebeu foi conduzir as negociações com o Congresso na votação do CPMF e o resultado é sabido. Aproveitando uma deixa agora conseguiu emplacar uma idéia, que poderia ser chamada de idéia de jerico de montar um Fundo Soberano. Estes fundos são comuns em economias que possuem fortes superávits em conta corrente, geralmente oriundas de exportações, e quase sempre de petróleo e gás como é caso da Rússia, Emirados Árabes e Kuait. Ou como no caso Chinês e de Cingapura, de grandes reservas cambiais em moeda estrangeira vindas do comércio exterior. A Noruega tem o seu e funciona como uma reserva para o futuro quando acabar o petróleo. O Chile baseia o seu no cobre. Fazem na verdade um estoque para evitar uma supervalorização da sua própria moeda a ponto de inviabilizar iniciativas fora do âmbito das exportações. Os economistas chamaram isto de doença holandesa e foi assunto aqui na coluna. De repente as reservas do país podem mostrar que é interessante comprar tudo de fora, e desindustrializa o país ou inibe qualquer iniciativa neste sentido. Pois não é que o grande pensador Mantega fez a cabeça do Nosso Guia de montar um para ele sair ajudando empresas brasileiras mundo a fora? Nosso Guia adorou. Vai ser um PAC mundial. Ai é só correr pra galera. Acontece que não temos dinheiro para isso. Muito pelo contrário, tem um déficit de 43% do PIB. Então de tudo que produzimos 43% é dívida. Em vez de pagarmos, vamos aumentá-la e pagando 12% de juros e emprestar pela metade. Vamos sacar do cheque especial e aplicar na poupança como já fez este governo ao pagar a dívida do FMI. Como se trata de Fundo Soberano geralmente são remunerados a 3% ao ano. Foi o que cobrou o dos Emirados Árabes para salvar o Citybank. * PAULO RONAN é economista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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