ARTIGO
Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010, 19h:17
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LORENZO FALCÃO
A maior viagem
Voltei. Trinta dias muito bem curtidos de férias numa resplandecente viagem. Um choque cultural e quase outro, literal, na volta. Precisei trocar uma lâmpada ao chegar em casa. E quando a gente tem muita coisa pra falar, nem se sabe direito por onde começar. Vamos lá... Uma viagem pela Europa é algo que recomendo para todos. O que mais aprendi, pra valer, foi sobre arquitetura. Conhecendo países que tem alguns mil anos a mais que o Brasil, e que são desenvolvidos, não há como não se embasbacar com a visualização de monumentos arquitetônicos antiqüíssimos que, de vez em quando, contracenam com edificações modernas e vistosas. Coisa pra se ficar olhando por vários instantes, de preferência, boquiaberto. E é impressionante os cuidados que esses países europeus dedicam a seus monumentos. Em capitais como Londres, Paris, Roma, Madri e Lisboa, não raro, me deparava com restaurações. Muito diferente do tratamento que o Brasil costuma destinar aos seus monumentos arquitetônicos. Mas, para não ser injusto, há exceções... Com licença, por favor, desculpe e muito obrigado. São palavras chaves para se relacionar bem com os europeus. Eles apreciam essa educação protocolar que, convenhamos, não faz mal. É recomendável pelo menos para começar uma relação. Só na Itália, ouso dizer, a coisa não é bem assim. Os italianos têm um jeito peculiar. São mal educados, aparentemente, mas, de um momento para o outro, abrem a guarda conquistando e deixando-se conquistar. A relação com eles parece tender sempre para uma mistura de amor e ódio. Mas é difícil pontuar com exatidão essas características do povo de cada país, já que a Europa parece ter se tornado um caldeirão cosmopolita. Quem me conhece sabe que dou bom dia a cavalos e converso até com cachorros e postes. Falar pelos cotovelos é uma expressão que me cai bem. Puxava assunto a toda hora, a cada esquina e minuto, com quem quer que seja que me aparecesse pela frente. E arrisco dizer que, em cada país que estive, mais da metade das conversas que iniciei foi com gente que não tinha nascido ali. Certo que ficava no ar, algumas vezes, uma certa discriminação para com nosotros, turistas que chegam de países mais pobres e que, literalmente, estão invadindo a Europa, um continente em crise econômica. Mas, no geral, fui bem recebido. Eles estão tendo que nos engolir. Meu paladar se deliciou com coisas como o peixe com batatas inglês, o chucrute (que me disseram ser uma invenção francesa e não alemã), as massas italianas e o maravilhoso bacalhau português. Ah... E os pastéis de Belém são uma verdadeira tentação. Já vai sumindo de fininho o espaço para minhas palavras. Registro, então, meu amor por Londres, por Lisboa e meu êxtase com as belezas da Itália, especialmente em cidades como Veneza, Florença e a imponência que é o Coliseu. É isso. Fui... *LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras