NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 23 de Junho de 2009, 21h:03

RENATO DE P. PEREIRA

A lição de Pretória

O que a imprensa internacional divulgou sobre Pretória durante os jogos da eliminatória da Copa das Confederações não motiva ninguém a conhecê-la. Lá passa de 12% o índice de contaminação pela Aids; mais de 25% da população masculina pratica estupros; o índice de criminalidade é altíssimo. Acrescente-se a isso o som das terríveis cornetas nos estádios, que nem os jogadores estão suportando. Essas notícias mostram que o mundo não comprou pelo valor de face o produto “turismo” que a África do Sul quer vender. Ou, dito de outra forma, a impressão que os meios de comunicação, representados pelos jornalistas internacionais, passaram para o mundo inteiro, foi totalmente desfavorável. O deságio do produto para o período pós-copa certamente será muito grande. Creio que o efeito de atração de turistas em consequência do evento será quase nulo, se não for negativo, diante de tanta notícia ruim. Nós, que moramos em Cuiabá, temos grandes esperanças na atração de turistas que ficarão conhecendo nossa cidade através da copa do mundo. Entretanto, é bom observar o ditado “quando vires arder a barba de teu vizinho, ponha a tua de molho”. A nós não faltam motivos para causar uma má impressão aos formadores de opinião, principalmente à imprensa internacional: índice de criminalidade altíssimo e crescente; presídios superlotados; dengue difundida por toda a baixada cuiabana; estradas de acesso ao pantanal em péssimo estado; parque da Chapada praticamente abandonado. Nosso produto “pacu assado e manga madura no quintal” não valerá nada se o turista não tiver segurança para desfrutá-lo; o “povo hospitaleiro como nunca se viu jamais” vira uma anedota com tanto marginal solto pelas ruas praticando os mais violentos crimes. A imagem de capital nacional do agronegócio fica maculada pelas notícias, muitas delas tendenciosas, do desmatamento da Amazônia. O tempo não espera. É mister construir imediatamente presídios que mantenham encarcerados nossos abundantes bandidos; precisamos combater a dengue, desde já, com mais vigor; consertar as estradas que levam aos nossos pontos turísticos; adaptar a Chapada para receber a agradar turistas exigentes e, por último, mostrar ao mundo o trabalho eficiente que Mato Grosso tem feito fazendo para preservar suas matas. Não nos iludamos que a imprensa internacional vai divulgar para o mundo nossos folders ou o que queremos que seja divulgado. Ela vai, sim, mostrar a própria impressão sobre cada detalhe, como fez na África do Sul. Nosso produto só será vendido pelo preço que nós atribuímos a ele se os potenciais clientes entenderem que compensa comprá-lo. Todas as outras coisas que já estão programadas: estádio novo, melhoria no transporte urbano, ampliação do aeroporto, etc, só terão força de atração de visitantes se condições como segurança, salubridade, ecologia, facilidade de acesso aos pontos turísticos forem satisfeitas. Interessa-nos muito o visitante para o período da copa, mas muito mais ainda a inserção de Cuiabá entre as cidades de grande potencial turístico do Brasil. Cumpre-nos não permitir que obrigações não cumpridas nesses cinco anos que antecedem a copa, depreciem de tal forma nosso produto que ele perca todo o seu valor de mercado. Cuiabá não pode passar para o mundo impressão semelhante à que Pretória passou. * RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL