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ARTIGO
Quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012, 19h:48

FERNANDO DUARTE

A importância do gestor

Não é novidade que no Brasil os problemas dos times são resolvidos com a demissão de técnicos. O mais recente a ‘rodar’ foi Vanderley Luxemburgo, no Flamengo. A situação, nesse caso, é mais complicada porque ‘Luxa’ não estava se dando bem com Ronaldinho Gaúcho, considerado a estrela do time. A diretoria decidiu pelo craque. É complicado imaginar que toda vez que houver uma dificuldade em algum grupo, o gestor ‘rode’. Na maioria dos casos, quem organiza e gerencia um time – como também é a função do técnico – tem um planejamento para a temporada. Ao excluir essa peça do jogo, exclui também o projeto pensado. Este país, infelizmente, não raciocina como conjunto, mas como peças isoladas. Sempre imaginando que apenas uma pessoa é a responsável pela bonança ou a escassez. Ronaldinho nunca vai resolver sozinho as dificuldades do Flamengo, nem financeira nem tática. Deve-se pensar no todo. Claro que ‘Luxa’ não é um cara fácil de com ele se lidar. É arrogante, acha que sabe tudo, etc., porém, apesar disso, é o gestor do time. É o responsável por pensar da defesa ao ataque, dentro e fora de campo. Responsabilidades que o Gaúcho não tem e nem deveria ter, pois não é a sua função. O já considerado ‘histórico’ 5 x 4 entre Flamengo e Santos, no Brasileirão passado, não foi um jogo entre Ronaldinho e Neymar, como alguns setores da mídia adoram enfatizar. O jogo foi entre um grupo contra o outro. Eles não resolveram a partida sozinhos, muito pelo contrário. Mas isso é o que é vendido. Uma pena! Na Europa, é um pouco diferente. Apesar de a mídia destacar – em excesso – as habilidades de Messi, é o time do Barcelona quem decide o jogo. Se o Messi não jogar, o gestor ainda terá um time, um grupo confiável e eficiente. No Brasil, a preferência é das peças em detrimento do todo. Não existe um projeto de time, apenas um time. Certamente, o Corinthians não iria conquistar o Brasileirão se o técnico Tite fosse demitido depois da saída da Libertadores. Aos trancos e barrancos, Tite montou um time, ineficaz em alguns momentos e eficiente em outros, mas um time. Para vencer, deve haver um projeto. E, para se ter um projeto, um gestor! FERNANDO DUARTE é editor de Política [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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