Esposo um ponto de vista que até por uma questão de auto-estima - um candidato a prefeito jamais deve focar sua campanha colocando-se na posição de coadjuvante, como se eleito, o governador ou presidente fosse assumir a responsabilidade de administrar o município. Nós tivemos o exemplo de Belo Horizonte onde o atual prefeito Fernando Pimentel recebeu fitas gravadas com depoimento de vários ministros de Estado e do presidente da República em apoio à sua candidatura e não as usou na campanha. Preferiu embasar sua campanha em problemas locais, procurando mostrar competência para resolvê-los e, com certeza, por ser candidato à reeleição mostrando ao povo a que veio. O resultado do 1º turno da eleição em Cuiabá demonstrou maturidade do eleitorado que votou num candidato que confia no próprio taco. Wilson Santos, desde o inicio da campanha deixou bem claro que, se eleito, ele seria o prefeito de Cuiabá. Não iria delegar essa competência, substabelecer essa procuração recebida do povo nem ao governador do estado, nem ao presidente da República. Logicamente que uma parceria com o governador do estado, principalmente de um governo municipalista como o Blairo Maggi é importante. A liberação de uma verba orçamentária, além dos repasses constitucionais é sempre bem-vinda. Porém, a grande verdade é que o segredo do êxito do administrador é muito simples: honestidade e competência pessoal. Um chefe de Executivo que não conjugue e não deixe conjugar o verbo roubar, já tem garantido o sucesso do seu mandato. A honestidade opera verdadeiros milagres. Cito aqui dois exemplos de prefeitos que exerceram seus mandatos em oposição ao governo e foram brilhantes: o prefeito de Alto Garças, Roland Trentine, exerceu seu primeiro mandato pertencendo como pertence até hoje no PFL, nunca aderiu ao então governador Dante de Oliveira, e foi o melhor prefeito de seu tempo. O prefeito de Jataí, Goiás, Humberto Machado, é do PMDB foi tratado a pão e água pelo governador Marconi Perilo e foi considerado o melhor prefeito do estado de Goiás. Da mesma forma que existem e estão aí as mostras dos milagres de pessoas que com salários pequenos ficam milionários no serviço público, existem também os milagres dos administradores sérios que com o milagre da honestidade conseguem multiplicar o dinheiro arrecado e transformar a cidade num canteiro de obras sem se descuidar do social Temos aqui em Mato Grosso, o exemplo dos recursos do FETHAB. Com os mesmos recursos arrecadados no governo anterior, o governo Blairo Maggi está fazendo milagres. Qual o segredo desse milagre? A aplicação correta dos recursos sem o ralo da corrupção. Não tenha ninguém a ilusão que o presidente Lula, com a complexidade dos problemas que tem e, que ainda não conseguiu resolvê-los nem em parte, vá ter tempo e disposição para administrar as capitais e/ou cidades maiores onde candidatos por ventura se elegerem escudados em seu apoio. O eleitor deve, sobretudo, analisar o perfil a competência e a afinidade do próprio candidato com a cidade a qual ele pretende governar, porque, na verdade, cada um tem que tomar a si a responsabilidade do mandato que receber e não pode transferi-lo nem ao governador nem ao presidente. Daí veio a minha grande admiração pelo Wilson Santos porque ele não andou no 1º turno escorado em bengalas, mostrou que sabe fazê-lo com as próprias pernas. Além do que, ninguém nesta campanha tem tanta afinidade com cuiabania como ele, o que é muito importante, pois que, preciso é que não deixemos morrer essa coisa gostosa, essa ternura incomparável da alma cuiabana. * PEDRO LIMA é analista político e advogado. Escreve neste espaço aos sábados.
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