A Casa Civil do governo Dilma está na mira dos holofotes e os acontecimentos vêm mostrando que a história parece estar se repetindo. Em outra época, não muito distante, o então comandante da Pasta, José Dirceu, também se viu às voltas com um escândalo que acabou por obrigá-lo a deixar o governo. Agora é Palocci que está na berlinda, por conta do aumento de seu patrimônio em tempo recorde. E assim como no passado, a tropa do governo - os aliados de Dilma - está buscando todas as formas de blindar o ministro na tentativa de evitar que ele tenha que deixar o cargo. Há quase um mês, desde que o jornal Folha de São Paulo divulgou matéria revelando que o ministro-chefe da Casa Civil multiplicou seu patrimônio por 20 num período de apenas quatro anos, pulando de R$ 375 mil declarados em 2006 para quase R$ 8 milhões em 2010, o Palácio do Planalto vem tentando de todas as formas minimizar a questão, fazendo um jogo de barganha com os aliados para evitar constrangimentos, até porque Palocci é o braço-direito de Dilma Rousseff. Para a presidente, tudo não passa de um jogo político para desestabilizar o início de gestão. Essa visão, no entanto, não é compartilhada por todos os companheiros e do partido. Nas fileiras do PT, Palocci não teve defesa incondicional, senadores como Eduardo Suplicy e Walter Pinheiro entendem que o ministro deve dar mais detalhes de sua atuação empresarial de forma a justificar os rendimentos que mudaram tão significativamente. Afinal, para quem declarou ter patrimônio de R$ 375 mil em 2006 e adquirir em 2010, num bairro nobre de São Paulo, um apartamento de R$ 6,6 milhões, além de um escritório por R$ 882 mil, um ano antes, a multiplicação dos pães foi considerável. Bom, pelo menos ele não fez como o ex-deputado João Alves, creditando ao prêmio da loteria o seu enriquecimento rápido. Justificou a façanha com a prestação de serviços de sua empresa de consultoria, na qual detém 99,9% do capital, embora ainda não tenha vindo a público explicar pessoalmente todo esse imbróglio. Pelo menos por enquanto, os esforços do governo estão conseguindo blindar o titular da Casa Civil. Seu aliado maior, o PMDB, já declarou seu apoio oficialmente. Há quem diga que tal apoio foi barganhado por cargos; os líderes do partido na Câmara e no Senado, no entanto, negam tal acordo. Porém, essa blindagem pode não durar muito tempo, pois entre os independentes do PMDB, mais conhecidos como o grupo G8 no Senado, há quem seja a favor de uma CPI e também quem defenda a saída do ministro. A questão é que Palocci precisa explicar essa mágica da multiplicação o quanto antes, não só para evitar mais desgaste ao governo, mas também para matar a curiosidade da grande maioria dos brasileiros. Afinal, na conta de Palocci o resultado de dois mais dois é muito mais do que quatro. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário tâ
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