O dia 02 de Junho de 2008 é uma data histórica para a educação brasileira. Foi a partir desta data que as disciplinas de Filosofia e Sociologia são reintroduzidas ao currículo das Instituições de Ensino Médio, não mais como disciplinas auxiliares, mas com o status de disciplinas obrigatórias. Isso ocorreu depois de um longo processo onde a sociedade demandou e o legislador incorporou a necessidade de disciplinas que agucem o senso crítico e um melhor entendimento do homem na sociedade contemporânea. A partir de então não cabe mais perguntar se essas disciplinas serão ou não benéficas para os discentes. Mas cabe perguntar em que condições objetivas esta reintrodução se dará. Eu como educador-filósofo entendo que essas condições foram norteadas pelas Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (OCEM) e pelo parecer do Conselho Nacional de Educação. As OCEM propõem que sejam reservadas, no mínimo, duas horas-aula semanais para a disciplina. Ao passo que no Parecer CNE/CEB nº 22 de 2008 determina que para a inclusão da Filosofia sejam respeitadas as datas de 2009 com a inclusão em, pelo menos, um dos anos do Ensino Médio e prosseguindo essa inclusão ano a ano até 2011, para os cursos de Ensino Médio de 3 anos de duração, e até 2012, para os cursos com duração de 4 anos. Outra questão que se põe a partir da reintrodução da Filosofia é: qual a melhor forma de se tratar essa disciplina nas instituições de ensino médio? Mais especificamente ainda: o que e como ensinar no ensino médio integrado ao ensino técnico para uma turma de Jovens e Adultos no período noturno? Existem várias concepção de filosofia e essa definição por parte do docente será fundamental em relação a que atividade exercer dentro da sala de aula. Isso ocorre devido a liberdade destinada aos docentes da disciplina nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN´s) e, ainda, confirmada pelas Orientações Educacionais para o Ensino Médio (OCEM). Muito embora definir filosofia seja algo complexo, o docente de Filosofia deve ao menos saber qual filosofia ele é signatário. Isso faz toda a diferença em relação a o que e como ensinar Filosofia. No meu dia-a-dia ministro aulas para o Ensino Médio Integrado, para o Ensino Técnico e para o nível Tecnólogo. Sendo assim, quando se fala de Ética, por exemplo, os exemplos devem ser dimensionados conforme a turma. Quando trato com o turno noturno de discentes do ensino médio integrado ao técnico (EJA), me permito aprofundar em exemplos que tratam do mundo do trabalho. Além disso, a participação dos discentes com exemplos relatados do seu dia-a-dia é de fundamental importância. Esses relatos de experiências são primordiais tanto para o envolvimento da turma naquela aula em específico, como para o entendimento do conceito como um todo. Partindo de situações problemas fica mais fácil identificar o tipo de ação e o tipo de reflexão necessária naquele exemplo concreto. *WALKYR MARRA Docente de Filosofia do IFMT - Campus Cuiabá
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