A partir deste domingo, os partidos já estão autorizados a fazer suas convenções e lançar candidatos. Pelo menos é o que preconiza o calendário eleitoral, porém, em um país onde o costume é se deixar tudo para a última hora, dificilmente acontecerá alguma convenção nesta data principalmente em se tratando de política, onde a busca de acomodações e acordos vai até o último prazo para se definir chapas e coligações, que é o dia 30 deste mês de junho. Demandando tempo em negociações que, muitas vezes, ficam pendentes e amarradas para um eventual segundo turno, naqueles municípios, evidentemente, onde existe essa possibilidade de as eleições não serem definidas no primeiro turno. Conforme é o caso de Cuiabá, aliás, o único município mato-grossense (porque nos outros o pleito se encerra no dia 5 de outubro) onde essa hipótese da disputa nas urnas sofrer prorrogação não pode ser descartada, sobretudo nas eleições deste ano. Em razão de que, embora se esteja a cerca de cinco meses da eleição, praticamente em cima da bucha, o horizonte eleitoral não está totalmente claro, a ponto de se poder afirmar que já existe um vencedor antecipado. Quando o pré-candidato favorito e que vem liderando as pesquisas até aqui divulgadas, ainda reluta em declarar, oficialmente, que vai ser mesmo candidato. É joga a definição para frente, à espera, obviamente, de composição que possa lhe garantir respaldo político e eleitoral para, se eleito prefeito da Capital, fazer da prefeitura trampolim para voo mais alto, ou seja, a eleição para governador do Estado em 2014, que é o grande sonho do empresário Mauro Mendes (PSB). De nossa parte, nada contra o empresário se utilizar desse expediente político de transformar o Palácio Alencastro, sede da prefeitura cuiabana, em escada para escalar o Palácio Paiaguás. Se existem algum problema e questionamento quanto a isso, não pertence à alçada deste articulista discordar, se limitando apenas a constatar o fato. Os aliados ou adversários de Mauro Mendes que porventura postulam o mesmo projeto governamental são os mais indicados, segundo nosso modesto entendimento, para manifestar esse tipo de discordância. E em última e decisiva instância, os eleitores cuiabanos na hora do voto, caso não aceitem que o poder público municipal sirva para encurtar caminho para outros projetos políticos. No mais, se as regras eleitorais vigentes permitem que qualquer pessoa, em gozo de seus direitos políticos e eleitorais, deixe uma prefeitura para concorrer ao Governo do Estado ou a qualquer outro cargo, quem somos nós para dizer o contrário?! Lembrando ainda que o último prefeito que, seduzido pelo canto da sereia e deixando de ouvir amigos e conselhos mais sensatos, fez do Executivo cuiabano trampolim para tentar chegar ao Governo do Estado, se deu mal no pulo, conforme registra a eleição passada. Mário Marques de Almeida é jornalista.
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