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ARTIGO
Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013, 21h:20

WILSON CARLOS FUÁ

A dimensão da política

Depois dos movimentos de junho, em que milhões de jovens ocuparam as ruas e praças, mas não pela conquista de nenhum campeonato de futebol ou pelo Carnaval, era um movimento cívico e organizado como nunca se viu neste país, os “moleques” foram aplaudidos pelos coroas e pelos idosos. Justamente eles, que anteriormente diziam que essa geração de jovens era considerada como de rebeldes sem causas, e que de repente colocou todos os políticos de coelhos e desesperados por anunciar projetos e mais projetos. Por um momento, até parecia que o país teria saído dessa letargia e que os políticos tinham acordado para um novo tipo de fazer política, e tudo que estava errado seria concertado de imediato: a começar pela reforma do sistema político; reforma da educação; maior investimento na saúde e mobilidade urbana de qualidade. Tudo isso é direito do povo, mas não se realizou e de eleição em eleição os eleitores continuam a ser enganados. A presidente saiu na frente, propondo a convocação de uma Assembleia Constituinte para elaborar o arcabouço legal que daria uma reviravolta no sistema eleitoral brasileiro. Até os grandes juristas debateram qual seria a melhor forma, através de Plebiscito ou Referendo? Após dois meses, alguém sabe informar como anda essa tal reforma eleitoral? O Transporte Público, que foi o estopim de todo o movimento, ficou reduzido à diminuição dos míseros R$ 0,20 centavos de reais. Afinal por que Transporte Público? Porque quem paga as tarifas é o povo, por isso é privado. Se é público, deveria ser gratuito. O povo paga muito caro por um transporte privatizado de péssima qualidade. As pessoas são transportas como se fossem animais sem um mínimo de respeito ao ser humano, vão “amontoadas” e “dependuradas”. E o que falar dos pontos de ônibus que mal cabem 5 pessoas (não protegem as pessoas do sol e nem da chuva) e as estações mais parecem galpões abandonados. Após dois meses, ficamos a lembrar dos jovens voltando para casa. Foram recebidos pelos pais e avós com muito orgulho como se fossem heróis, cansados e até machucados pelos tiros de borracha e pelos sprays de pimenta. Depois daqueles movimentos, parecia que os políticos tomariam vergonha na cara, e talvez pela pressão pudessem entender que os cinismos teriam um fim e que povo iria dormir mais tranquilo porque as reivindicações uma vez atendidas beneficiariam milhões de cidadãos de todas as idades e de todo o país. Mas os políticos dirigentes ao não atender às reivindicações dos jovens acreditam piamente que esses “guris” têm a memória curta, por isso todas as propostas foram jogadas no esquecimento ou no lixo da história recente deste país. Como é vergonhoso uma autoridade trabalhar sobre pressão, pois aplicar os recursos públicos com competência, honestidade e ética é nada mais que obrigação, e acima de tudo os políticos têm que entender que receber as obras e serviços sociais de qualidade é direito do povo. Mas o pior de tudo isso é que eles pensam que essas vozes das ruas, o maior movimento cívico já realizado no país, foi apenas moda em junho de 2013, e que tudo acabou. Nada do que foi proposto veio a ser implementado, os projetos não saíram do papel. O que saiu foi apenas o nada real, vindo das gargantas afiadas dos políticos nos seus clássicos discursos demagógicos. Será que neste século ainda vamos ter um político com a consciência de que as conquistas do povo estão sempre incompletas, pois as realizações não se completam em si. O verdadeiro líder nasceu para viver correndo atrás de muitos objetivos comunitários, pois as necessidades coletivas são infinitas. Aquele que se dispõe a ser político sabe que todas as suas promessas repercutem na imensidão do espaço e imediatamente são registradas para ser cobradas no plano espiritual e sem que ele perceba: a sua visão tem a dimensão dos olhos da alma do povo e as necessidades de fato se encerram completamente. Com certeza, os movimentos voltarão para cobrar as faturas de junho. Porque esperar pela vontade dos políticos, só se for sentado. *WILSON CARLOS FUÁ – é especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos [email protected]

Edição EDIÇÃO 16969




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