NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 22 de Dezembro de 2007, 13h:40

MÁRIO M. DE ALMEIDA

A democracia do DC

Não acredito no discurso de Imprensa “independente” tão do agrado de setores da classe média e da burguesia, segmentos que mais consomem os produtos da mídia impressa (jornais e revistas) e mais assistem aos programas de jornalismo e debates na mídia eletrônica (rádios e TVs) e, ultimamente, engrossam o número crescente de pessoas conectadas aos sites e blogs noticiosos ou opinativos da internet. Não acredito nessa propalada “independência”, que, aliás, costuma ser autoproclamada por muitos órgãos de comunicação social, chegando a ser repetida à exaustão como se fosse um mantra – palavra mágica que supostamente pudesse mostrar superioridade diante dos demais concorrentes, que, segundo esse ponto de vista, não disporiam desse nobre atributo de sobreviver sem atrelamentos. Não acredito nesse discurso, simplesmente porque a convivência em sociedade só é possível através da relação de interdependência. Sendo assim, onde está a independência e, se existe, é em relação a quê ou a quem? E nesse aspecto, cabe ainda questionar se, em nome dessa decantada liberdade de expressão, os que assim sonham estariam dispostos a sacrificar a própria existência de suas atividades empresariais, correndo os riscos de fechar as portas, caso não estivessem apenas no papel de críticos, mas tivessem que arcar com os custos financeiros, as responsabilidades sociais e os encargos jurídicos, trabalhistas e econômicos que recaem sobre as empresas jornalísticas? Assim como sobre qualquer outra. Portanto, “independência” é um ideal, um conceito, mas a realidade é feita de forma interdependente, e isto vale para as pessoas e as instituições, sejam públicas ou privadas. E esse princípio de que todos se dependem mutuamente tornou-se a própria essência do mundo plugado de agora e onde a globalização é uma realidade inquestionável. Rompendo distâncias a as próprias barreiras territoriais da nacionalidade – haja vista o que acontece na Europa e sua unificação em um só bloco de países. Mas, se acho que não existe espaço para o jornalismo “independente”, conforme é norma se conceituar o que seria um padrão ético e moral a ser seguido pela imprensa, acredito – e muito – na possibilidade e reconheço a existência de vários órgãos de imprensa que praticam um jornalismo democrático. Entre os quais, no âmbito de Cuiabá e Mato Grosso, sem demérito para os demais, destaco o Diário de Cuiabá. E se enveredo, hoje, nesse tema, é para falar da democracia editorial que norteia o jornalismo praticado por esse jornal, que neste domingo está completando 39 anos de existência. E cuja maioria deles, venho acompanhando, quer seja como simples leitor, articulista ou funcionário que fui, por cerca de 5 anos, trabalhando como repórter e editor-adjunto. Tenho a honra de saudar o DC, reconhecendo, nestas modestas linhas, que ele é uma escola, nesse aspecto de abertura democrática, por onde passaram, e passam, nomes ilustres da Imprensa mato-grossense. Muitos dos quais pontificam hoje em vários outros meios de comunicação social, inclusive como proprietários ou editores. Para não cometer injustiça, inclusive com a memória de grandes profissionais que já partiram para outros planos da existência, e em vida contribuíram para consolidar a história do DC, como contratados ou colaboradores, não individualizo nomes. Até porque o Diário de Cuiabá deixou de se pertencer, para virar um patrimônio da sociedade cuiabana e mato-grossense. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é jornalista em Cuiabá

Edição EDIÇÃO 16965




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL