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ARTIGO
Sábado, 29 de Novembro de 2008, 12h:32

ONOFRE RIBEIRO

A crise pode ou não ser uma crise

Nesta semana participei de dois eventos e em ambos falou-se em crise. O primeiro, o encontro nacional de revistas, realizado na terça-feira, em São Paulo. O segundo foi uma palestra que fiz em Cáceres para estudantes da Universidade Estadual de Mato Grosso – Unemat. Em São Paulo, palestrantes brasileiros, norte-americanos e europeus falaram do futuro das revistas e de certo modo da mídia impressa no mundo. Na Europa e nos Estados Unidos, eles já lidam com um certo perfil domesticado da crise financeira mundial. Não existe desânimo, até porque a percepção lá é que se pode reduzir muito os custos, valorizando mais a revista e o jornal digitais do que os impressos. Não que estes vão desaparecer. Mas a percepção do futuro é a de que a mídia digital e a impressa vão conviver, mas com ampla vantagem para a digital. Também a linguagem terá que mudar. Enquanto a linguagem da revista impressa é muito mais formal e tem que obedecer às regras consagradas, a versão digital da mesma revista poderá ser muito diferente e ter uma linguagem própria e muito mais informal. Aliás, a percepção é a de que os leitores estão muito mais afinados com a narrativa pessoal do que com a narrativa só jornalística e formal como hoje se usa. Mas, com relação à crise, não se falou nela. A visão de futuro é de futuro, com algumas restrições e adaptações. Já em Cáceres, numa palestra para acadêmicos de Ciências Contábeis e de Direito, da Unemat, toquei no tema da crise na visão de que haverá restrições econômicas ao longo de 2009, mas numa proporção imprevisível. Contudo, a expectativa é a de que o mundo precisará se alimentar e precisará de energia para a produção em todos os setores. Com dificuldades de manter a agricultura e a pecuária altamente subsidiadas como hoje, é de se esperar que capitais internacionais migrem para as áreas de produção de carnes, de grãos e de biocombustíveis em outras regiões do mundo. Como isso se dará ainda não se sabe com exatidão, porque a crise ainda não definiu completamente o seu caráter, toda a sua extensão e alcance. Ao final do evento, fomos jantar com empresários locais, e a conversa continuou no tema da crise. No fundo, ninguém acredita que estejamos diante do apocalipse que se anunciou no primeiro momento da crise norte-americana. Espera-se que o Brasil e, em particular, Mato Grosso, reajam bem. Mato Grosso, pela posse do ativo da terra, do conhecimento de produção, penalizado apenas pela falta de capital suficiente para ampliar o uso de tecnologia e de insumos para alcançar a produtividade histórica já conquistada em safras anteriores. Hoje, depois disso tudo, das leituras, das conversas e da percepção da História, não saberia o que dizer sobre a crise mundial em relação a nós aqui do Brasil, do Centro-Oeste de Mato Grosso. Exceto uma única observação, que talvez possa servir de consolo para a minha ignorância econômica: por detrás da crise financeira, está nascendo uma nova sociedade com novos comportamentos que podem resultar numa nova ordem mundial. Só, por enquanto! ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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