ARTIGO
Quarta-feira, 16 de Julho de 2014, 19h:51
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EDUARDO PÓVOAS
A copa, os abutres e a Justiça
Começo falando sobre o bola de ouro desta Copa. Sem dúvida nenhuma, o torcedor brasileiro foi o ganhador da maior premiação desta festa do esporte mundial. Deu show, mostrou a verdadeira cara do povo brasileiro, ordeiro (falo da esmagadora maioria), trabalhador, honesto, criativo, educado e possuidor de um talento incrível na arte de recepcionar. Cuiabá, a cidade que moro foi para alguns que pouco conhecia este povo, motivo de espanto e elogio internacional durante a festa. Para mim, que nasci e cresci nestas bandas, conhecendo profundamente os hábitos e a educação deste povo, nenhuma surpresa me fez a revelação por meio da imprensa nacional e internacional, dos elogios recebidos pelos cuiabanos. Tinha eu a certeza de que durante a Copa a arte de receber muitíssimo bem quem por aqui aporta seria mostrada, como foi, ao mundo inteiro. Parabéns! Agora com o final dela e o vexame da nossa seleção, os abutres da mídia nacional que aplaudiam uma seleção capenga, que passava por seus adversários com enormes dificuldades mostram suas garras. Ridicularizam o Felipão, esculhambam alguns jogadores, e detonam a tática empregada pelo técnico. À noite nos programas esportivos, poucos, ou quase nenhum, tiveram a coragem de expor seus pontos de vista com relação à nossa seleção. A grande maioria concordava com o esquema tático, com as substituições e com os treinamentos. Eram verdadeiras vacas de presépio! Pensam em trazer um técnico do exterior para treinar a nossa seleção. Imaginem se isto tem cabimento! O país do futebol (sempre será) importando técnicos! Não faltam só mudanças radicais no comando o futebol brasileiro, falta também uma degola na grande imprensa esportiva deste país. Tem gente que se passar em frente a um cemitério se deita, pois a sepultura está à sua espera. E daí, o dono da rádio, da TV ou do jornal, adora a baboseira que falam ou escrevem. Novos repórteres, novos narradores e novos comentaristas existem aos montes saindo das nossas universidades. Agora, a justiça. Esta foi feita parcialmente. Comecemos pelo campeão. Justíssimo o primeiro lugar. O vice em minha opinião deveria ser a Holanda com um futebol mais técnico e alegre que o da Argentina. O terceiro lugar poderia ser para a Argentina, pela garra e pela vontade de ganhar. O quarto lugar jamais deveria ser nosso e sim do México, Chile ou Costa Rica. O escolhido como melhor jogador da Copa também não foi unanimidade. Na minha ótica, o goleiro da Alemanha foi o melhor da Copa; o Boateng,zagueiro da Alemanha, não deu nenhum passe errado e ainda foi um muro na defesa da campeã durante toda a Copa; o Mascherano da Argentina foi sublime no meio-campo e o Robben, da Holanda, para mim, o melhor jogador do Mundial. O Messi jogou com o nome, só com o nome. Essa é a minha opinião baseada no que vi e analisei. Gostaria eu que o campeão fosse o Brasil, o vice fosse o Brasil, o terceiro lugar fosse do Brasil e o quarto, também. Infelizmente, a realidade foi outra. Fez o povo brasileiro uma Copa que vai entrar para os anais do esporte mundial. Claro que houve pequenos problemas com alguns turistas, porém sem medo de errar, noventa e nove por cento de quem esteve neste sagrado solo, um dia voltará para resgatar um pedacinho do seu coração que por aqui ficou. *EDUARDO PÓVOAS- pós-graduado pela UFRJ