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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012, 21h:58

EDUARDO PÓVOAS

A borboleta que ficou cega

Esta história parece muito com algumas que você deve conhecer. É a história de uma belíssima borboleta com cores variadíssimas nas suas majestosas asas, parecendo um enorme arco íris, que provocava o ciúme doentio das outras que nem de longe, chegavam perto da sua imponência. Parece que seu trabalho do dia a dia, sem nunca falhar, incomodava àquelas que pouco eram afeitas a estas tarefas. Perambulava sobre as flores de um enorme jardim descrevendo na trajetória do seu vôo uma elipse perfeita enquanto fazia sabiamente a polinização das mesmas. Vez ou outra, algumas com menor brilho e beleza tentavam acompanhar seus passos, limitando-se a um percurso ridículo para a nossa majestade. A custa desse seu trabalho incessante, o imenso jardim mantinha a beleza daqueles do Palácio de Schonbrunn na Áustria fazendo com que nossos olhares só deixassem de admirá-lo quando sua majestade cruzava nossos horizontes. Com sol ou chuva, bem cedinho nossa bela e imponente borboleta lá estava saltitante e com um olhar aguçado parecendo tomar conta do seu terreno. Passava o tempo e sua luz e beleza, junto com sua disposição para o trabalho, diminuía consideravelmente para a alegria de suas parceiras. Sabiam estas que jamais poderiam fazer o que a nossa majestade fazia. Sabiam também que em nenhum momento poderiam atingir o grau de produtividade da nossa personagem. Então o que restava a elas? Só lhes restava a torcida para que com o passar dos dias nossa borboleta perdesse as forças não conseguindo mais produzir o que produzia. As cores maravilhosas de suas asas perdiam o brilho de antes. Seus magistrais vôos formando uma espetacular elipse já não eram os mesmos. Seu poder de polinização diminuiu consideravelmente pois o percurso de seu vôo já não atingia distancias consideráveis. Seus olhos opacos e sem brilho, dificultavam seu pouso. Sinais estes de que ali começava “o começo do fim”! Claro, a borboleta como nós, temos nosso “período de validade”. A borboleta como nós, um dia deixará de existir. O importante é fazer com que o nosso tempo na terra tenha nos proporcionado à chance de que, como a borboleta, deixemos construído enormes e belos jardins idênticos aos de Viena. O importante é quando perdermos as cores das nossas asas, o brilho dos nossos olhos e o nosso poder de vôo, esperarmos, com muita tranqüilidade, nosso julgamento final. Nestas linhas faço uma homenagem aos meus queridos amigos e colegas do Colégio Estadual de Mato Grosso, e das “peladas” do Dutrinha que se, estamos a perder as cores das nossas asas, o brilho dos nossos olhos e o nosso poder de vôo, certeza tenho que aqui deixaremos inúmeros jardins idênticos ou melhores que os de Viena. *EDUARDO PÓVOAS - Cuiabano [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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