A eleição que estava morna em Cuiabá agora começou a esquentar. Candidatos até então apáticos estão investindo em ataques aos adversários que ocupam as primeiras colocações nas pesquisas. Até mesmo aqueles que prometeram não atacar ninguém estão dedicando boa parte de seus programas eleitorais para esta finalidade. Dos seis candidatos, apenas um não está investindo na estratégia. Ao menos até o momento. Nem mesmo os nanicos, que levantam a bandeira da mudança, e os candidatos a vices ficam de fora. Até mesmo cabos eleitorais estão se metendo e acirrando ainda mais os ânimos. Um em especial tem incrível dom para se meter em confusão. E tem causado bastante, sendo, inclusive, alvo de queixa-crime por parte de outro candidato. Enquanto alguns programas estão apelando e baixando de sobremaneira o nível da campanha, outros chegam a ser até engraçados. Um dos candidatos tem usado boa parte de seu tempo no rádio e na televisão para acusar o adversário de ser favorável à legalização do aborto e das drogas. Outro afirma ser o único usuário do Sistema Único de Saúde (SUS). Em seguida, diz ter candidato que, se sente uma dor de barriga, vai fazer tratamento em São Paulo e que outro é dono de hospital, mas quer ver se ele vai atender a população de graça se for eleito. Enquanto o nível da campanha vai baixando, as propostas, que verdadeiramente interessam à população, vão ficando de lado. A campanha para vereador também não fica atrás. Muitos candidatos já foram multados por infringirem a legislação eleitoral. Alguns por mais de uma vez. No entanto, continuam insistindo no erro, desrespeitando a população antes mesmo de serem eleitos. Diversas denúncias de compra de votos por parte de candidatos ao Legislativo Municipal têm chegado diariamente ao conhecimento do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que tenta auxiliar o Ministério Público Estadual, a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal a elaborar estratégias para flagrar a prática dos crimes e punir os responsáveis. Por mais que jurem estar bem intencionados e ter o desejo de lutar por Cuiabá e de melhorar a qualidade de vida do povo cuiabano, na prática o que se percebe é o nítido desejo pelo poder. Este ano está especialmente difícil escolher um candidato. O jeito é aguardar para ver o que ainda vai acontecer nesses poucos mais de 20 dias restantes para o pleito. E torcer para que os candidatos acordem e passem a respeitar nós, eleitores, que estamos acompanhando tudo o que está acontecendo. RENATA NEVES é repórter