NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 20 de Outubro de 2012, 15h:53

ROSILDO BARCELLOS

A Abjeção do Opróbrio

Um dos momentos divinos do norte do país é quando nossos olhos chegam perto do encontro das águas. Lá a presença de Deus é evidente. Os rios Negro e Solimões não se misturam, apesar de caminharem juntos, a harmonia da natureza transcende em decorrência das diferentes temperatura e velocidade, de uma e de outra. O Rio Negro é mais quente, menos denso e mais ácido, porque ele corre em uma área de formação geológica mais antiga. Ao seu lado, Solimões com muitos sedimentos é mais denso. E um dos assuntos que compõem, em destaque, a pauta das discussões desta semana diz respeito a um sistema de cotas obrigatórias para negros, pardos e alunos da rede pública do ensino médio no processo seletivo para as universidades públicas. É um caminho visto por alguns como a redução da exclusão e visto por outros como uma segunda forma que discriminação. Em verdade o conceito mais usado é que a suposição de que cotas para egressos de escolas públicas vá democratizar a sociedade. Penso, entretanto, que tal corrente está equivocada, pois a solução aponta para a melhoria da qualidade da escola pública e não a derrubada do nível de exigência da universidade. Concurso vestibular nenhum mede a capacidade de alguém em frequentar um curso superior, restringindo-se a ser portador da definição de ingresso em função das vagas oferecidas. Isso se verifica em razão das circunstâncias especiais que o envolve, capazes de provocar o nervosismo do candidato, que afeta o desempenho dos postulantes a vaga, no momento do exame, entre diversos outros fatores de instante. Ressalto também os exemplos históricos. No Congo do século XIX, Hutus e Tutsis se misturavam e tendiam a se tornar um único povo, quando de repente o colonizador belga resolveu impor cotas em empregos e na educação. Foram concedidos documentos raciais diferentes para os dois povos, que começaram a desenvolver processos de afirmação étnica por oposição entre si. Passou o tempo e Ruanda, que se constituía em ser um dos menores e mais pobres países do mundo, transformou-se no terceiro país africano que mais importava armas. Entre janeiro de 1993 e março de 1994, graças ao financiamento francês, o país conseguiu da China mais de 580 mil machetes a preço de liquidação. Sedimentou-se assim um dos episódios mais bárbaros da história da humanidade culminando em 1994, quando em apenas três meses mais de 800 mil pessoas foram chacinadas em sua maioria a golpes daqueles machetes adquiridos. Do processo de independência de Ruanda até o genocídio, os conflitos étnicos foram frutos da disputa política dentro do país e resultaram no produto das decisões de se diferenciar as pessoas. Uma das funções do ensino superior é a disseminação e socialização do conhecimento, buscando a integração social, a eficiência e a soberania do nosso país. Evidentemente este assunto traz em seu bojo a complexidade que lhe é peculiar, e advogo que este assunto não se esgotará facilmente, o que, sem dúvida, trará ainda muito calor à discussão; fato que eu espero, para podermos analisar e decidir se estamos no caminho certo. * ROSILDO BARCELLOS é articulista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL