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ARTIGO
Terça-feira, 01 de Julho de 2008, 21h:56

ONOFRE RIBEIRO

18 anos

Nesta semana completaram-se 18 anos que escrevo artigos diariamente para jornais em Cuiabá. Comecei pelo jornal A Gazeta, em 29 de junho de 1990. Em julho de 2004 deixei de escrever para A Gazeta e mudei-me para o Diário de Cuiabá. Todos esses anos foram extremamente produtivos, tanto do ponto de vista profissional quanto intelectual. A rigor, uma pessoa que tivesse 10 anos no começo, tem hoje 28 anos. Já é profissional no mercado, casada, tem filhos e, de certa forma, se foi meu leitor em algum momento de sua vida, é bem provável que nossas vidas também tenham se cruzado. Na realidade, tenho leitores que herdaram o hábito através de seus pais. Escrever para leitores adultos cativos é uma coisa. Escrever para leitores da segunda geração é outra. Tenho feito todo o empenho para acompanhar os fatos na sua seqüência natural, sem ater-me só às lembranças passadas. Claro, que é preciso referenciar diariamente o que está acontecendo na sua relação com eventuais semelhanças ou circunstâncias de um momento passado. Isso se chama História. Tenho uma paixão especial pela História e pelos comportamentos humanos. Hoje, nessa data dos 18 anos, quero recordar que em junho de 1990, nosso estado estava século atrás do que está hoje. Respirava-se saudade dos tempos em que prevalecia a velha economia e a velha política do velho Mato Grosso. As perspectivas de futuro eram muito limitadas quando comparadas a tudo o que aconteceu depois, nesses 18 anos. Ninguém acreditaria se alguém falasse sério em industrialização em larga escala da produção primária. Ou que o estado seria líder de produção primária em áreas como a do agronegócio. Do mesmo modo, ninguém acreditava que fosse possível em tão pouco tempo que Mato Grosso saísse de uma economia estagnada e defasada tecnologicamente para processos de produção semelhantes aos do mundo inteiro. Melhor até, em muitos casos. Tudo mudou, e mudou muito! Nesses anos, escrevi algo como 5 mil artigos. O cotidiano sempre ditou o enfoque. Pode ter sido política, pode ter sido economia, pode ter sido viagens, pode ter sido mudanças culturais, políticas e econômicas. Podem ter sido as transformações sociais. O fato é que mudou tudo! Velhas expressões como pioneiros da ocupação dos anos 70, já não se usam mais porque os seus filhos e netos já tomaram os seus lugares na vida do estado como mato-grossenses nascidos. Do mesmo modo, os filhos e netos dos mato-grossenses natos daquela época também já tomaram o lugar dos seus pais. E nessa mistura de comportamentos acabaram por criar um novo modelo e sociedade bem mistos. Leio e releio alguns artigos. Em geral não me apaixono pelo que já escrevi. Mas não posso deixar de reconhecer que os artigos de outras datas retratam verdades já esquecidas. Ou trazem velhos sonhos de então, hoje tão velhos também. Certo mesmo é só o futuro. Que bom imaginar que ainda poderei estar aqui atirando contra o acaso tentando antecipar o que virá. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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