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Sábado, 12 de Fevereiro de 2011, 14h:37

ENTREVISTA

Wellington: Zé não confia na sua equipe

Deputado por seis mandatos consecutivos, Fagundes descarta disputar a prefeitura de Rondonópolis, mas avisa que o Partido da República terá candidato

HUMBERTO FREDERICO
Especial para o Diário
O deputado federal Wellington Fagundes (PR) assumiu esta semana pela segunda vez a liderança da bancada federal, no Congresso Nacional. O republicano, que também é presidente regional da sua sigla, está indo para seu sexto mandato no mesmo cargo, depois de ter sido o deputado federal mais votado em Mato Grosso, com mais de 145 mil votos. Natural de Rondonópolis, o parlamentar rejeitou qualquer possibilidade de concorrer à prefeitura da cidade em 2012. Devido à votação expressiva que teve na eleição passada, o nome de Wellington é ventilado como um dos possíveis candidatos à sucessão do governador Silval Barbosa (PMDB), assunto sobre o qual ele prefere ter cautela para falar. Questionado sobre o aumento salarial dos deputados federais, que chegou a R$ 26 mil, o parlamentar se disse a favor do reconhecimento do trabalho feito pelos colegas. Ele recebeu o Diário logo após a primeira audiência com o governador, já como líder da bancada. Fagundes já está na história política de Mato Grosso por ser o único parlamentar até o momento a conquistar seis mandatos consecutivos na Câmara Federal. Até o momento não há registro de algum político ter conseguido o tal feito. Diário de Cuiabá - O senhor foi aclamado como líder da bancada de Mato Grosso. O que pode ser feito para uma bancada tão pequena angariar mais recursos para Mato Grosso? Wellington Fagundes - O fundamental é a união da bancada. Enquanto temos oito deputados federais representando Mato Grosso, São Paulo tem 70. A diferença é muito grande. Nós temos um peso equilibrado que é no Senado, são três senadores em cada Estado. Então acredito principalmente que precisamos ter união em torno de objetivos comuns, que é o avanço do Estado. Diário - O senhor acha que com a Copa do Mundo em Mato Grosso pode ficar mais fácil para angariar recursos para o Estado? Wellington - Todas as capitais gostariam de ser uma subsede. Mato Grosso então conseguiu aquilo que para muitos era um sonho e que hoje é uma realidade. Agora temos que fazer o dever de casa, este é o grande desafio. São obras impactantes e caras, tanto é que a União aumentou a capacidade de endividamento das capitais e estados que receberão a Copa. Já temos alguns recursos garantidos do Ministério do Turismo e nos próximos anos vamos buscar ainda mais. Diário - O senhor está no sexto mandato como deputado federal. Na próxima eleição o senhor entra na disputa majoritária? Wellington - Olha, eu sempre tenho dito que antes da eleição de 2014 tem eleição municipal. Eu sou o presidente estadual do PR, então a função maior como presidente do partido é fortalecer cada vez mais a sigla e lançar candidatos na maioria das cidades. Cuiabá, por exemplo, tem dois turnos e eu acredito que a maioria dos partidos vai lançar candidato. Mas temos um foco, que é ajudar os partidos que são da base aliada, além do PR. Eu tenho certeza de que o Silval tem tudo para ser um grande governador e como ele não pode ser candidato a reeleição ele será o grande maestro das eleições e definir quem serão os candidatos. O candidato bom não é o imposto, é o conquistado. Diário - Corre pelos quatro cantos do Estado que o seu grande sonho é disputar a prefeitura de Rondonópolis, cargo que o senhor já disputou e não obteve êxito. O senhor é candidato em 2012? Wellington - Olha, o meu grande sonho é terminar a minha vida pública como vereador em Rondonópolis. Eu tenho como exemplo o Fragelli (ex-governador de Mato Grosso), que saiu de presidente do Congresso Nacional e virou vereador de Aquidauana (município do Mato Grosso do Sul). Mas eu acredito o seguinte: depois de seis mandatos, eu posso perfeitamente buscar outros projetos em nível estadual. Nesta eleição fui mais uma vez o deputado mais votado com uma votação bastante expressiva, o que me traz muito mais compromissos. Foi a primeira eleição em que eu fiz também um trabalho forte na Capital. Hoje o meu nome está estadualizado. Então eu acredito que para a prefeitura de Rondonópolis eu poderia ajudar muito mais no apoio a um bom candidato. O PR provavelmente lançará um candidato em Rondonópolis. Vamos conversar com os outros partidos, inclusive com o PMDB, acenando com a possibilidade de estarmos juntos. Mas, finalizando, não existe hoje nenhuma possibilidade de eu ser candidato a prefeito. Diário - Como o senhor avalia a gestão do prefeito de Rondonópolis, Zé do Pátio (PMDB)? Wellington - As pesquisas têm mostrado a aprovação de governo muito ruim. Isso são as pesquisas que mostram. Eu acredito que o maior problema do Zé é que ele não conseguiu formar uma equipe e muito menos confiar nela. Além disso, ser legislador é muito diferente de ser executor. O Zé Carlos sempre foi um deputado muito combativo, falante... mas administrar às vezes exige pouca fala e muita estratégia. Equipe, acima de tudo, planejar, pensar... isso que faz de uma habilidade do Executivo. Até agora o prefeito não mostrou serviço, porque dentro da própria prefeitura e do partido existe uma insatisfação muito grande. Nós, como deputado, buscamos fazer a nossa parte. Ele precisa reciclar em termo administrativo, para que possamos fazer a nossa parte. Nós queremos o bem de Rondonópolis, tanto é que temos ajudado, levado recurso, discutido projetos que possam melhorar a cidade. Mas, infelizmente, as pesquisas mostram que a administração atual tem deixado muito a desejar. Diário - O senhor acredita que o vice-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli (PR), possa continuar no partido, mesmo com as divergências com o prefeito Murilo Domingos? Wellington - Eu acredito que sim. O PR é o maior partido do estado de Mato Grosso, eu acredito que o Tião da Zaeli tem que buscar o entendimento com o prefeito, porque quando existe briga o prejuízo é iminente. A população não gosta de briga, gosta de trabalho, gosta de resultado que venha beneficiar a todos. Então, portanto, espero que o Tião junto com o Murilo encontre um caminho para a boa convivência, que é o melhor para a população de Várzea Grande. Diário- Murilo descumpriu algum acordo com o PR? Wellington - Com o PR, não! Todas as conversas que nós tivemos, ele sempre foi uma pessoa tranquila. Agora, o compromisso específico em relação à candidatura de Várzea Grande dele com o Tião quem acompanhou foi o Emanuel Pinheiro (primeiro-secretário do PR). Estes compromissos não foram levados para o diretório regional, ficaram ao encargo de Emanuel Pinheiro as negociações e conversas. Com o diretório regional, o Murilo cumpre todos os deveres. Ele apoiou os candidatos do partido, contribuiu na eleição do Silval e do Blairo Maggi. Diário - Dois parlamentares de Mato Grosso, o senador Jayme Campos (DEM) e o seu irmão Júlio Campos, do mesmo partido, são de siglas oposicionistas ao governo federal. O senhor considera que estes casos podem prejudicar o seu trabalho à frente da bancada? Wellington - Eles estão em partidos de oposição, é diferente de eles fazerem oposição. Os dois, o senador Jayme e o deputado federal Júlio Campos, são experientes, sabem que Mato Grosso depende muito do governo federal. E eles têm se colocado à disposição. Vão participar da audiência na segunda-feira com a presidente Dilma. Eu acredito que naquilo que for matéria de interesse de Mato Grosso, eles estarão juntos e apoiando. Diário- Por que o senhor quis ser de novo o líder da bancada? Wellington - Eu estou no sexto mandato, eu recebi a manifestação de vários companheiros que para esse início de governo seria bom ter um parlamentar com experiência e próximo do governador. Por isso, me coloquei à disposição de fazer este trabalho, de estar sendo o interlocutor da bancada federal com o governador Silval Barbosa, e também junto ao governo federal. Não se pode confundir a coordenação da bancada com o propósito de cuidar de cada um. Diário - O que motiva o senhor a permanecer tantos anos no mesmo cargo? Wellington - Porque Deus quis assim. Eu já fui candidato a prefeito de Rondonópolis e não fui eleito. Em Rondonópolis as pessoas diziam que era melhor eu ser deputado, que prefeito arruma-se um lá. Talvez o meu trabalho em Brasília fez com que as pessoas entendessem que o meu mandato como deputado federal era o melhor para ajudar o Estado. Diário - O que o senhor acha que evoluiu nestes seis mandatos na Câmara Federal? Wellington - Sempre digo que cada mandato é uma oportunidade de aprendizado, cada mandato é diferente. Agora, por exemplo, vamos ter pela primeira vez uma mulher como presidente da República, com um perfil técnico, vamos ter que aprender juntos. A experiência nos ajuda a transitar em Brasília, facilita o trabalho. Mas a cada novo mandato a gente aprende mais alguma coisa. O positivo é que estamos somando àqueles novos que estão chegando. Diário- O salário motiva ser deputado federal? Wellington - Acho que o dinheiro é importante, mas sozinho não traz felicidade. Claro que o salário de um deputado muitos questionam, assim como questionam quem deve ganhar mais: um jogador de futebol, um artista, um deputado ou um senador? Eu acredito no seguinte: nós somos funcionários públicos e temos obrigação de trabalhar. Quem trabalha e quem produz, tudo o que ganha eu acho que é perfeitamente aprovável. O ruim é os que não trabalham, infelizmente em todo setor tem as ovelhas negras. Eu procuro trabalhar incansavelmente. Diário - O recente aumento salarial, que elevou os vencimentos para R$ 26 mil, era necessário? Wellington - Depende, se trabalha merece, quem não trabalha não devia ganhar nada. Diário - O senhor não acha que receber 15 salários por ano, do poder público, seja um exagero? Wellington - Acredito que aquele parlamentar que corresponde trabalhando, o político que realmente honra o voto, merece um tratamento diferenciado, inclusive salarial. Existem empresas no setor privado que pagam, dividem até os lucros da empresa com seus melhores funcionários.

Edição EDIÇÃO 16962




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