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Sábado, 02 de Maio de 2009, 13h:35
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ENTREVISTA
Wellington assume candidatura ao Senado
Deputado federal por cinco mandatos consecutivos, Fagundes já articula para a disputa majoritária na eleição do próximo ano
ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
Deputado federal de quinto mandato, desde 1990, Wellington Fagundes (PR) admite que pode ser candidato ao Senado, depois da desistência do governador Blairo Maggi (PR) de disputar a vaga. Em entrevista ao Diário, o parlamentar prega a bandeira do municipalismo e a união da bancada federal na conquista de recursos junto ao governo Federal. Depois de quase 20 anos na Câmara Federal, o republicano avalia que Mato Grosso está mais integrado e tem condições de garantir avanços na economia agrícola, principal atividade do Estado. Além disso, Fagundes se mostra simpático à candidatura do vice-governador Silval Barbosa (PMDB) ao governo de Mato Grosso. Para isso, ele cita o bom desempenho dele na função de vice e sua lealdade ao governador em sua gestão. Um dos principais articuladores de recursos junto ao Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) para construção e manutenção das rodovias federais, o deputado se mostra entusiasmado com alguns projetos como a construção da BR-158, no Vale do Araguaia, e a chegada da Ferronorte a Rondonópolis. Ele também acredita na candidatura da ministra Dilma Rousseff na sucessão do presidente Lula e que com a participação do governador Blairo Maggi a petista será vitoriosa dentro do Estado. Diário de Cuiabá O senhor está no quinto mandato como deputado federal. Qual a avaliação que o senhor faz do Estado quando entrou na política e o Mato Grosso de hoje? Wellington Fagundes Eu já começo com uma diferença muito básica. Quando eu fui eleito em 1990, eu viajava pelo interior de Mato Grosso e a região norte e a região do Vale do Araguaia tinham um sentimento muito grande de divisionismo e o que as pessoas mais alegavam era o abandono e o isolamento, a falta de energia elétrica, falta de estradas. Então, hoje não se fala mais em dividir o Estado. A única região onde esse assunto ainda é tocado é o Vale do Araguaia e nós temos para lá um grande desafio: primeiro era a questão da energia elétrica, que no governo Lula já foi cumprido. Toda a região já está energizada através do programa Luz para Todos. O outro grande desafio são as estradas. A BR-158, que é fundamental para aquela região. O Araguaia tem milhões de hectares abertos e grande parte disso são áreas degradadas e que precisam ser recuperadas e tem uma característica de áreas planas, que podem contribuir muito para o desenvolvimento econômico do País. Então o cidadão que lá está isolado pode contribuir para a recuperação dessas áreas e ainda contribuir para a economia do Estado e do Brasil? Mas, pra isso tem os custos, já que o nosso Estado produz commodities, que são a soja, o arroz e o milho. E o frete acaba sendo o maior custo, chegando a 43% do valor vendido. Então, esse é o grande impedimento para a região crescer. Por isso que muitos acabam chamando aquela região de Vale dos esquecidos. Se o governo não estiver ali, então esse sentimento divisionista acaba sempre sendo tocado. Diário O senhor tem sido um interlocutor entre o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte (Dnit) e essas regiões que reivindicam estradas. Como anda a BR-158? Wellington Estou muito entusiasmado! Fiquei muito feliz esta semana porque o Ibama liberou a licença para a construção da BR-158. Com data marcada oficialmente, estaremos no dia 15, lá em Confresa, onde o governador vai lançar o inicio da construção da MT-340 e também a BR-158, onde vamos sair de carro de Confresa até Vila Rica onde vamos iniciar o trabalho da 158. São 500 quilômetros que serão construídos no Estado. Do lado do Pará ela já está toda asfaltada. Se cada quilômetro custar de R$ 700 mil a R$ 800 mil, o total gasto deve girar em torno de R$ 400 milhões. O importante é que está obra está no PAC e o dinheiro já está liberado. Então, com isso, esperamos acabar de vez com esse sentimento de divisionismo. Mato Grosso tem todas as condições para ser um Estado forte e integrado. Então, acho que a classe política está cumprindo o seu papel. Diário E sobre a Ferronorte? Wellington Também estou muito esperançoso. A ferrovia está parada no Araguaia há muito tempo. Já estive reunido com a ministra Dilma Rousseff e com a empresa ALL, uma das maiores empresas de logística de transporte do mundo. Essa empresa comprou a Ferronorte e o contrato previa que ela tinha um prazo para construção de 90 anos. Com a intervenção da ministra Dilma, nós conseguimos aprovar um aditivo, onde a empresa deve entregar o trecho de Alto Araguaia até Rondonópolis até o dia 30 de dezembro de 2010. A questão financeira já está toda resolvida. Quero destacar aqui a importância do senador Vuolo, autor do projeto de construção da Ferrovia e agora o Francisco Vuolo dando prosseguimento a esse trabalho. Nesse ano, ainda vamos traçar o projeto para que ela chegue a Cuiabá. Diário Cogitou-se um possível desentendimento do senhor com o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot. Isso realmente existiu e a relação entre vocês está estremecida? Wellington Isso existiu e isso é positivo. Porque o Pagot está lá para cumprir uma meta, que é fazer o Dnit andar. E o órgão tem uma situação híbrida. Nem é agência, mas é administrado como se fosse uma agência. O diretor do Dnit tem que ser sabatinado pelo Senado. O ministrou ou o presidente da República não tem autoridade para demitir. Então, precisa trabalhar, mas às vezes encontra essas dificuldades. É um órgão que trabalha em colegiado. O Pagot vem fazendo um trabalho muito forte e quer ver as coisas andando, assim como eu, parlamentar, quero. Então, a gente tem discutido muito para chegar à situação em que estamos chegando. Ele está recebendo o apoio de toda a bancada na Câmara, dos senadores. Mesmo assim, não é fácil. É um trabalho de luta. Eu diria até que é pegar boi pelo chifre. As dificuldades ambientais para executar as obras, por exemplo, são muito grandes. Faixa de domínio demorava um, dois anos para ser aprovada pelo Ibama. Hoje, já conseguimos aprovar na Câmara, falta passar pelo Senado, que o Ibama terá um prazo de 60 dias para dar o seu parecer. Mas, nós estamos muito bem representados no governo federal, com o Pagot, com o secretário-executivo do Ministério das Cidades, Rodrigo Figueiredo. Nossa bancada também está unida para trazer recursos para nosso Estado. Diário Depois da desistência do governador Blairo Maggi em disputar o Senado, o nome do senhor foi cogitado para assumir essa candidatura. Como o senhor encara isso? Wellington O nosso candidato, sem discussão, era o Blairo. Por ter sido um bom governador, por ter feito um bom trabalho. Eu sempre fui do PL e na fusão com o PRONA, onde surgiu o PR, nós já sabíamos da importância de se ter um nome forte, como o do governador. Nós conversamos no partido nacionalmente, fizemos o convite. O Blairo e todo o grupo vieram e formamos o PR e isso foi muito positivo tanto nacionalmente, quanto dentro de Mato Grosso. A presença do Pagot hoje em Brasília deve-se ao fato dele ser do PR. Então, para Mato Grosso isso é fundamental. Todo o prestígio e a confiança que o Blairo tem junto ao presidente Lula é extremamente importante. Tanto é que ele desistiu da campanha ao Senado porque pode coordenar a campanha da ministra Dilma aqui em Mato Grosso. Então, essa candidatura majoritária ao Senado não pertence a mim. Ela é diferente. A proporcional não. Hoje, eu tenho cinco mandatos e acho que ela depende muito mais do meu trabalho, do meu grupo político, dos meus amigos e das pessoas que sempre trabalharam comigo. Eu sou um parlamentar municipalista. Sempre tive essa bandeira. Costumo dizer que sou um parlamentar generalista, porque trabalho em diversas áreas porque o nosso Estado ainda está em ascensão. O senador é diferente. Ele representa o Estado. O senador tem um equilíbrio maior: são três em cada Estado. Na Câmara, a diferença é muito grande. Somos oito parlamentares mato-grossenses brigando com 70 deputados de São Paulo, por exemplo. Mesmo se eu for candidato a senador, quero me colocar como um candidato municipalista porque não adianta você estar em Brasília apenas com bons discursos ou projetos de lei. É importante esse trabalho junto aos ministérios para ajudar nossos prefeitos. Porque hoje a arrecadação é muito forte nas mãos do governo Federal e dos Estados. Portanto, a presença de um senador genuinamente municipalista poderá ajudar muito Mato Grosso. Quero ser senador, sim. Mas quero ser um senador das comunidades, das cidades do interior, da Capital. Aqui em Cuiabá, tenho trabalho em parceria com a deputada Thelma, na construção da ETA Tijucal, no Rodoanel, no Cais do Porto e no Restaurante Popular, por exemplo. Mas, isso só acontece se você bate lá na porta do ministério. Tem que ter paciência e tomar muito chá de cadeira para conseguir os recursos. Mas, quero ser candidato pelo partido porque a senador não posso ser candidato de mim mesmo. Diário E a sucessão do governador Blairo Maggi, como o senhor vê as discussões que vêm sendo travadas até agora? Wellington Primeiro, acho que para ter uma candidatura forte tem que ter um bom arco de alianças. Assim o Blairo foi eleito e reeleito. E essa base aliada nós temos que fazer de tudo para mantê-la unida. A candidatura do Blairo era certa para senador. Mas, claro que nós devemos conversar com todos os partidos. Nesta eleição, vamos ter oito vagas só na majoritária: governador, vice, dois senadores e dois suplentes para cada senador. Então, dá pra fazer um bom arco de aliança. Agora, porque somos o maior partido vamos exigir tudo? Claro que não. Nós já tivemos a oportunidade de governar temos o PMDB, com o Silval como vice. Foi um vice leal, um pessoa plenamente séria, competente e honesto. Segundo o próprio governador, todas as missões que lhe foram delegadas ele cumpriu a risca. Nunca causou nenhum problema. Pelo contrário, foi um vice que trouxe soluções para a administração do PR. Acho que esse é o momento do PR ter reciprocidade com quem ajudou. Acredito que o PR pode ter candidato a governador ou não para contemplar um partido do arco de alianças. E podemos ajudar com uma candidatura ao Senado, que volto a frisar que não é minha, era do governador Blairo Maggi, mas ele resolveu voltar atrás. O projeto do PR era muito claro: ter uma vaga para senador. O fato do Blairo mudar não significa que o partido deve mudar também. Dentro do PR, o Maurição (Maurício Tonhá, prefeito de Água Boa) e o Sérgio Ricardo já colocaram o nome para governador. Mas, será que o PR tem condições de encarar um projeto sozinho? Eu acho que não. O PT, por exemplo, já tem uma definição. Eles querem uma vaga no Senado. Não se discute no PT o cargo de governador. O Riva, do PP, também quer ser candidato ao Senado. A nossa única dúvida é o DEM por causa da aproximação nacional com o PSDB. O Jayme manifestou vontade em se candidatar a governador e está se aproximando do PSDB. Mas, pode ser o candidato nosso ou do PSDB também. O fim da verticalização vai ajudar os Estados, sim. Não adianta candidatura imposta. Tem que se trabalhar com a sociedade, verificar a aceitação e a viabilidade do nome. É importante sentir o que a população quer. Então, nós, do PR, não podemos ser intransigentes. Temos que estar abertos e realmente fazer uma composição sólida e robusta. Diário O senhor se mostra simpático à candidatura do vice-governador Silval Barbosa. O senhor também defende a integração do Estado. Mas, como deputado, Silval defendeu a divisão de Mato Grosso. Isso não representa uma incoerência? Wellington Como parlamentar, ele defendeu a divisão do Estado, que era o anseio do povo, sim. Naquele momento, a região norte queria a divisão. Nada mais justo que ele representasse o anseio daquele povo. Agora, o senador, assim como o governador, tem o papel de defender o Estado. Então, não é incoerência nenhuma ele ter defendido a divisão. Hoje, ele é vice-governador e contra a divisão. Nosso papel é integrar o Estado. Já provamos que isso é possível. Os investimentos comprovam isso. Mas, como deputado, ele foi eleito para representar a região dele, o Nortão. E todos de lá queriam a divisão.