Primeira Página
Segunda-feira, 28 de Outubro de 2013, 20h:25
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VÁRZEA GRANDE
Waldir recorre e se diz vítima de golpe
Presidente afastado alega que Regimento Interno não foi respeitado e que primeiro-secretário, Maninho de Barros, também assinou contratações
THIAGO ANDRADE
Da Reportagem
O presidente afastado da Câmara de Várzea Grande, vereador Waldir Bento (PDMB), aguarda receber nas próximas horas a resposta do pedido de liminar feito à Justiça para que retorne à presidência da Casa. O peemedebista acredita ter sido vítima de um golpe para atingir a administração do prefeito Walace Guimarães (PMDB). Em sua defesa, Waldir alega que os vereadores não respeitaram o Regimento Interno da Câmara, já que ele não teve direito à ampla defesa e não havia o número suficiente de parlamentares para que ocorresse uma votação de afastamento. Ele destaca que o Regimento prevê ser necessário que dois terços dos vereadores votem pelo afastamento, ou seja, 14 votos precisam ser favoráveis ao pedido. No entanto, apenas sete parlamentares se manifestaram pela sua saída temporária do cargo de presidente. Em setembro o Diário já havia noticiado que vereadores, inclusive membros da mesa diretora, planejavam tirar Waldir da presidência. Nesta segunda-feira, o peemedebista reconheceu a manobra, mas disse que preferiu evitar um pronunciamento naquele momento porque nenhum dos vereadores havia se queixado de sua administração. Para afastar Waldir, os parlamentares usaram como justificativa um inquérito aberto pelo Ministério Público do Estado (MPE) que apura a contratação de 16 funcionários para cargos que só deveriam ser preenchidos através de concurso público. O vereador diz que já apresentou sua defesa ao MPE e que aguarda a conclusão do inquérito. À Promotoria, Waldir justificou que as contratações foram necessárias naquele momento e que a Casa não tinha orçamento para a realização de um concurso ainda neste ano. Pontuou ainda que firmou um acordo com o próprio MP para que o certame seja realizado em 2014, tendo em vista que há a expectativa de aumento no duodécimo, segundo ele. Entre os fatos que chamam a atenção do peemedebista, ele cita que o primeiro-secretário da Câmara, vereador Maninho de Barros (PSD), não foi apontado como corresponsável no pedido de afastamento. Ele também assinou a contratação, afirma. O social-democrata já foi citado pelo próprio grupo que apresentou o requerimento contra Waldir como o articulador da manobra. A reportagem tentou contato com ele, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Enquanto o recurso de Waldir não é julgado, uma Comissão Processante apura as supostas irregularidades cometidas por ele. Já a presidência da Câmara passou para as mãos do vereador Leonardo Mayer (sem partido). Entre os primeiros atos do presidente interino esteve a exoneração, na última sexta-feira (25), os 16 funcionários contratados ilegalmente. Para o analista político Louremberg Alves, os próximos passos dos vereadores são determinantes para que a cidade não entre em um novo clima de instabilidade política. Ele destaca ser preciso diálogo. Waldir, por sua vez, garante que diálogo nunca faltou. O peemedebista afirma que deve procurar os demais parlamentares para tentar entrar em um consenso. Para ele, a população não vai aceitar a forma com o afastamento foi votado. Estou aqui para manter a ordem. As laranjas podres é que devem sair, diz.